Auxílio Emergencial

PM acusado de torturar menor na Rocinha é expulso da corporação

A Polícia Militar expulsou dos seus quadros o soldado do Batalhão de Choque Marlon Machado de Carvalho, que foi acusado e até condenado de agredir um adolescente na Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio em 2017. A punição foi publicada no Boletim Interno da corporação do dia 23 de junho.

O agente já havia sido condenado pelo crime a nove anos e seis meses de prisão no ano passado.

O Boletim da PM traz detalhes sobre como ocorreu o fato.

A mãe do garoto contou que, no dia 01 de outubro de 2017, enquanto
estava em sua residência na comunidade da Rocinha, município do Rio de Janeiro, percebeu que seu filho D.S.F.S demorava retornar à casa e que neste momento ocorria uma operação policial militar na localidade.

Em razão disso, ela foi ao encontro do seu filho, quando o avistou chegando ao seu portão com a cabeça ensanguentada. Quando questionado, D.S.F.S afirmou que o ferimento era em virtude de agressão perpetrada por policiais militares.


A mãe, acompanhada de D.S.F.S, foi ao encontro de seis policiais militares
lotados no BPChq que estavam abordando outras pessoas na localidade próxima à Rua do Canal, momento que seu filho identificou dentre estes, dois dos policiais presentes, como seus algozes.

Ao tentar buscar explicações para o ocorrido, foi prontamente rechaçada pelos agentes, e um deles inclusive disse que “se encontrasse a depoente ou algum dos seus familiares na rua iria ‘esculachá-los’ e que se fossem até à delegacia fazer qualquer tipo de denúncia, que iria mata-los”.

A posteriori, a mulher passou a prestar socorro ao filho,
buscando auxílio na UPA da Rocinha.


Ainda em suas declarações, ela afirmou que após todo o ocorrido, compareceu ao Ministério Público junto à Auditoria da Justiça Militar (AJMERJ) e fez o reconhecimento dos policiais que praticaram as condutas transgressivas em desfavor do seu filho.


O menor, em depoimento no Ministério Público junto à AJMERJ, disse que, no dia dos fatos (01/10/2017), estava voltando ao seu lar com a monta de R$ 70,00 após ter trabalho no staff da empresa “Spedd” que organiza corridas de rua.

Quando no momento que subia a escadaria, recebeu ordem de parada oriunda de um policial militar que após a
abordagem o mesmo subtraiu o valor pecuniário de R$ 70,00 e, mais R$ 10,00 e algumas moedas que estavam em seu bolso, colocando-o em seu fardamento.

Um segundo policial – no caso Marlon – ficava apontando o fuzil
para ele, dizendo que iria matá-lo, este último também colocou o pé no rosto do garoto durante o “interrogatório” realizado pelo outro policial suspeito e bateu com o fuzil em seu pé e, por fim, ainda deu
uma coronhada em sua cabeça.

O PM alegou que as acusações foram impulsionadas por traficantes da localidade, tendo em vista as frequentes incursões e prejuízos causados pelo BPChq aos traficantes da Rocinha.

Disse também que não teve qualquer contato com D.S.F.S. e que não o conhecia, assim como, sua genitora.

O outro agente envolvido foi morto num confronto na mesma favela quatro meses após o caso: Tiago Chaves da Silva foi atingido por um tiro no abdômen durante um confronto com traficantes em 25 de janeiro e morreu dias depois no hospital.


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