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‘Funcionário’ de Peixão (TCP) passou com R$ 1,8 milhão escondidos por operação policial

Um integrante da quadrilha de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, e que atua na comunidade do Buraco do Boi, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, foi flagrado em uma escuta telefônica dizendo que passou por uma operação policial no momento em que trazia consigo no carro a quantia de R$ 1,8 milhão. Não foi mencionado nos autos que tramitam na 2ª Vara Criminal do município quando e onde ocorreu o fato. O suspeito foi identificado com o vulgo de Pingo e não se sabe se foi preso  na ocasião.


O inquérito resultou em denúncia contra 41 pessoas supostamente envolvidas com o tráfico na comunidade e traz situações bizarras como de uma mulher que foi flagrada em uma escuta que pede a um comparsa uma pistola para sacrificar um cachorro e o cúmplice disse para usar veneno.

É citada no inquérito a informação de que os traficantes teriam arrecadado R$ 3 mil para subornar policiais com o objetivo de soltar uma mulher que foi presa em flagrante.

Os traficantes tentaram conseguir um ônibus com o objetivo de transportar moradores do Buraco do Boi para um baile funk em Parada de Lucas, que diz se tratar de ´festa do patrão´.

Em outro trecho da investigação, há menção a um joalheiro que faria joias para Peixão.

A investigação aponta o envolvimento dos traficantes do Buraco do Boi com bandidos da comunidade Parque Belém, em Angra dos Reis, na Região Costa Verde fluminense, entre eles Hélder da Silva, o HD, líder do tráfico local. Ambas as favelas são controladas pelo Terceiro Comando Puro (TCP).
O inquérito apontou ainda que a quadrilha conta com a atuação de mototaxistas, que  recebem os pedidos e combinam a entrega de drogas a compradores que os procuram por telefone.

As escutas flagraram também a negociação de armas. Um dos fornecedores de armamento para o grupo mantém diálogo com um traficante no qual lhe oferece duas pistolas Glock, uma ´9 e uma 40´, pelo valor de R$ 15 mil.

A investigação também mostrou que os traficantes pagam espécies de auxílio-reclusão e pensão por morte a presos oriundos da comunidade e para as famílias dos detentos.

Um traficante que ocupava posição de destaque no grupo foi rebaixado por ter ordenado o homicídio de Jonahan Camilo Correa da Silva, sem a autorização do traficante Peixão, o que fez com que fosse destituído do posto de ´frente´ no Buraco do Boi e retornasse para Parada de Lucas.
Um traficante de vulgo Astronauta que era ex-frente disse preferiu levar uma vida normal, conversou com Peixão para deixar o crime  e entregou a ele seu fuzil e suas cargas.


A investigação também informa que havia bandidos se exibindo com armas no Facebook. Um deles ostentava a imagem de um peixe segurando um fuzil em seu perfil (em clara alusão ao traficante Peixão).

Um traficante de Magé foi flagrado em uma escuta dizendo que portava 15 pistolas e dois fuzis em certa ocasião.

Em uma outra escuta, os bandidos falam sobre o caso do traficante Juninho que trocou tiros com policiais e foi preso não receberia nenhum auxílio (pensão ou advogados) por ainda não estar registrado na facção.

Processo No 0025535-11.2020.8.19.0038

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