Casos de Políciahomicídioinvestigação

Antes de ser morto, Bid teria dito que recuperaria tudo que era seu por direito e desafiou Bernardo Bello

Uma testemunha das investigações sobre o assassinato de Alcebíades Paes Garcia, o Bid, contou que no domingo de Carnaval de 2020, o contraventor foi ao seu encontro  e disse que tinha encontrado algumas pessoas ligadas a contravenção e falou a elas que estaria voltando para retomar o que era seu por direito.

Ao ter conhecimento desta colocação feita pela futura vítima, o depoente disse ter o chamado de ´maluco´, por estar afrontando pessoas sabidamente ligadas a contravenção do jogo do bicho.

Questionada se Bid tinha um bom relacionamento com integrantes da contravenção, a testemunha respondeu que não porque Bernardo Bello teria tomado todos os seus pontos de jogo do bicho e a vítima havia perdido força entre os contraventores, confirmando a acirrada disputa entre a Bid e Bello pela hegemonia na contravenção.

Segundo os autos do processo,  Bello teria supostamente explicitado a vítima seria sua em questão de tempo (em contexto de clara ameaça)

A mulher de Bid também declarou que um homem que estaria envolvido no crime teria lhe abordado em uma boate na Barra da Tijuca e dito a ela. ‘Fica tranquila, eu sou o chefe de segurança do Bernardo e o problema não é com você não, pode curtir a vontade’.

A mulher teria pedido a um ex–PM chamado Glauber para contratar seguranças para o Carnaval de 2020. Ele faleceu dias após prestar depoimento em sede policial sobre o crime decorrente de lesões sofridas por suposta tentativa de assalto.

Um dos seguranças de Bid preso pelo crime informou que teria simplesmente ´se perdido´ de seus clientes, deixando-os vulneráveis na escolta. Já o outro, também preso, enviou mensagens para o colega sobre a localização em tempo real possibilitando que a vítima Alcebíades pudesse ser monitorada e executada.

 Enquanto Bid era morto, seu segurança ficou parado, efetuou disparos na direção contrária – outro lado da rua, onde não havia ninguém, e fugiu), 

Os autos informam também que foi analisado o aparelho celular de um dos integrantes do ‘Escritório do Crime’, grupo de matadores de aluguel acusado de diversos homicídios, sendo identificadas imagens, vídeos de vigilância e pesquisas sobre Bid, sendo destacadas orientações como ´melhor lugar para se entocar´ e ´melhor lugar para entrar´ em uma eventual emboscada criminosa. 

Ademais, no celular de outro integrante do grupo foram encontradas imagens retiradas de rede social da vítima Alcebíades, caracterizando intenso monitoramento sobre sua vida e rotina. D

Destaca-se ainda que a própria placa do carro da vítima foi objeto de pesquisa pelo indiciado através do aplicativo Sinesp Cidadão.

A companheira de Bid, em seu depoimento informou que se recordava de já ter sido seguida por um carro da marca KIA, com prata, justamente um modelo utilizado por um integrante do Escritório do Crime, conforme prints extraídos de seu celular, onde é possível ver o volante do veículo KIA.

HISTÓRICO

O assassinato de Bid envolveu o histórico das acirradas disputas pelo controle da exploração do jogo do bicho e máquinas caça-níquel a partir do falecimento do patriarca da família Garcia (Waldemir Garcia, vulgo ´Miro´) e de seu filho Waldemir Paes Garcia, vulgo ´Maninho´, que culminaram com uma série de homicídios no seio do núcleo familiar.

Conforme detalhadamente esclarecido pelo Ministério Público em sua investigação, o assassinato de Maninho (ocorrido em 28 de setembro de 2004) seguido da morte do patriarca da família Miro em um curto intervalo de tempo (cerca de 30 dias), desestabilizou o controle dos pontos da contravenção e de exploração de máquinas de caça-níquel exercido pela família Garcia, até então centralizados nas mãos dos personagens citados.

Tal circunstância ocasionou uma temporária pulverização de poder e a escalada de violência no próprio seio familiar. Neste cenário de pulverização do controle dos negócios ilícitos entre os vários membros da família Garcia dois personagens acabaram assumindo o seu protagonismo: José Luiz de Barros Lopes, o Zé Personal, Jentão marido de Shanna Harouche Garcia e Bernardo Bello, então companheiro de Tamara Harrouche Garcia, HARROUCHE GARCIA, ambas filhas de Maninho.

Ainda segundo as investigações ministeriais, após o rompimento de Zé Personal e seu então segurança particular, o capitão Adriano da Nóbrega, este teria se aliado a Bello e o auxiliado na obtenção gradual do controle absoluto dos negócios ilícitos da família mediante o emprego de violência voltada à eliminação de todos aqueles que pudessem representar algum risco aos seus planos, entre eles o próprio Zé Personal´ (IP 901-01360/2011), Myro Garcia, vulgo ´Myrinho´, filho de Maninho´ (IP 901-0490/2017), e Bid, além da tentativa de homicídio praticada contra Shanna.

Outras informações neste link: http://www4.tjrj.jus.br/consultaProcessoWebV2/consultaMov.do?v=2&numProcesso=2022.001.011770-1&acessoIP=internet&tipoUsuario=

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