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As guerras que tornaram Macaquinho um dos expoentes da milícia

Além da guerra com o Comando Vermelho, Edmílson Gomes Menezes, Macaquinho participou ativamente de uma disputa entre milícias rivais pelo controle de comunidades da Praça Seca e Jacarepaguá.


 A disputa por novas regiões de influência fez com que grupos criminosos distintos se unissem para conquistar novas áreas. Foi nesse contexto que as “milícias” atuantes nos bairros de Campinho (Morro do Fubá) e de Jacarepaguá (Jordão, Bateau Mouche, Renascer, Jordão, Barão, Tirol e Curicica) se uniram para conquistar o território da Comunidade da Chacrinha (Praça Seca/Jacarepaguá), então dominada pelo criminoso Hélio Albino Filho, vulgo “Lica”. 

  Além do interesse em poder obter ganhos econômicos através de atividades criminosas na comunidade da Chacrinha, a conquista do território visava enfraquecer “milícia” rival, qual seja, aquela dominada por Lica.  

  No entanto, a conquista da Comunidade da Chacrinha ainda possuía interesse estratégico para organizações criminosas que atuavam na região da grande Jacarepaguá e Campinho. A localidade faz limite com o Parque Nacional da Tijuca, que divide a Zona Oeste da cidade com a sua Zona Norte. Logo do outro lado do Maciço da Tijuca está o Complexo de Favelas do Lins, tradicional reduto de domínio do Comando Vermelho.  

  Assim, a conquista da Comunidade da Chacrinha se revelava importante para a consolidação de um cinturão de segurança contra invasões de traficantes do Comando Vermelho.   

  Foi assim que, em 07/12/2017, no período vespertino, membros das “milícias” atuantes nos bairros de Campinho (Morro do Fubá) e de Jacarepaguá/Praça Seca se uniram e invadiram a comunidade da Chacrinha.
 Ao invadirem tal localidade, os criminosos promoveram confrontos armados com a organização criminosa que lá atuava”. Há registro, inclusive, do óbito de um membro da quadrilha de “Lica”, no confronto com os invasores da comunidade, com participação direta de parte de Macaquinho e comparsas.


A tomada da comunidade da Chacrinha pelos denunciados agravou a guerra entre grupos criminosos pelo domínio territorial da região da Praça Seca, uma vez que  “Lica”, – expulso da localidade – se aliou ao Comando Vermelho e, por vezes, tentou retomar o controle da região . 

Após se estabelecer na região da Chacrinha, nova invasão foi arquitetada pelo grupo criminoso denunciado, que novamente recebeu reforço de novos membros oriundos de outras áreas da Zona Oeste. .  

  Desta vez, o alvo foi a comunidade da Covanca/Jacarepaguá, que também tinha interesse estratégico para consolidação do mencionado cinturão de segurança contra invasões de traficantes do Comando Vermelho. Foi assim que, em 17/03/2019, a organização criminosa, fortemente armada, invadiu a Covanca da Covanca para consolidar seu domínio territorial, evitar a expansão do Comando Vermelho e obter seus ganhos econômicos ilícitos a partir da exploração de atividades criminosas  

  Durante a invasão, diversos disparos de arma de fogo foram efetuados pelos criminosos. Tais disparos chegaram, inclusive, a ferir ao menos um morador da localidade . 


Tanto após a invasão da Chacrinha, quanto após a invasão da Covanca, o modo de agir dos criminosos foi o mesmo. 
Uma vez dominada a região, o bando colocou em prática o seu vasto cartel criminoso. 

Na Chacrinha e na Covanca a quadrilha iniciou a prática regular de extorsões contra moradores e comerciantes, com a cobrança de valores em dinheiro como uma suposta “taxa de segurança”  . 


O bando também implementou monopólio do fornecimento de água e passou a explorar e comercializar sinais clandestinos de internet e de televisão a cabo, obrigando a contratação com ela de tais serviços. 

Visando manter o domínio de suas atividades criminosas, os membros da malta passaram a ser frequentemente vistos pelas ruas das comunidades dominadas portando armas longas e curtas de forma ostensiva.


 O porte ostensivo de armas também se faz necessário para proteção dos territórios dominados contra invasões de outros grupos criminosos. Um traço marcante da organização criminosa é a utilização de violência, de covardia, contra todos aqueles que, de alguma forma, atrapalhem seus interesses, seja pela recusa do pagamento das “taxas”, pela tentativa de fuga dos monopólios comerciais ou pelo acionamento das autoridades de segurança pública.
Nessa linha, moradores e comerciantes, com alguma frequência, tiveram seus imóveis invadidos, sofreram agressões físicas e tiveram bens roubados. 


A organização criminosa é marcada por uma clara e organizada estruturação e divisão de tarefas, nos quais havia, de forma não exaustiva, (i) os membros incumbidos da gestão do esquema criminoso, (ii) os seguranças responsáveis pela proteção pessoal dos chefes do bando, (iii) os soldados, cuja função era fazer a proteção de pontos estratégicos das comunidades e fazer o porte ostensivo de armamentos, (iv) os cobradores ou recolhedores, entendendo-se estes como aqueles responsáveis por fazer as cobranças e recolhimento das taxas cobradas de moradores, comerciantes e prestadores de serviço, e (v) os olheiros, cujo papel era vigiar pontos estratégicos da localidade de atuação da malta, com o objetivo de alertar aos demais membros sobre eventual presença das forças de segurança pública.   

  Na divisão de tarefas da organização criminosa pode-se afirmar que Macaquinho, ao lado de Leonardo Luccas Pereira, o Leléu, e Horácio Souza Carvalho incumbia a gestão do esquema criminoso, uma vez que ocupavam o topo da hierarquia da estrutura delituosa da súcia e foram os responsáveis pelas estruturação das invasões.

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