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Assassinato de investidor de criptomoedas foi praticado por grupo de extermínio que age por recompensa e que tentou matar outra pessoa do ramo. Um dos suspeitos teria ligação com o tráfico (TCP) da Maré

O assassinato do investidor de criptomoedas Wesley Pessano Santarém, ocorrido em agosto, em São Pedro de Aldeia, foi praticado por um grupo de extermínio que age por pagamento de recompensa, segundo investigações da Polícia Civil.

Um dos envolvidos no crime também teria ligações com traficantes da comunidade Vila do João, no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. 

Há informações de que o mesmo grupo estaria envolvido na tentativa de homicídio contra outro investidor de criptomoedas  na Região dos Lagos. 

O crime ocorreu em 04/08/2021, por volta das 15h30m, na Rua Marechal Castelo Branco, altura do nº 68, no Bairro São João.

Wesley era operador de investimento financeiro de criptomoedas, com suspeitas de ser, na verdade, um sistema de pirâmide em execução na Região dos Lagos, Rio de Janeiro, tal como fartamente noticiado pela mídia, sendo que ele, no dia dos fatos, estava em seu veículo de luxo Porsche, cor vermelha, em companhia da vítima A.J.S.C.J quando ambos foram alvejados com disparos de arma de fogo. 

A partir de complexa investigação feita pela Polícia Judiciária nos autos do Inquérito Policial nº 125-01594/2021, logrou-se identificar os supostos envolvidos com os crimes, notadamente em razão do confronto de imagens de câmeras, documentos e aparelhos apreendidos com os alguns dos então investigados, afastamento do sigilo de dados telefônicos e ainda considerando a colaboração feita pelo denunciado Robert Silva Campanha.

A prova dos autos convergiu para indícios de que os autores dos disparos de arma de fogo efetuados contra as vítimas teriam partido dos denunciados Roberto e Luiz Felipe Chefarni Tavares.

Há indícios de que o denunciado Fábio Natan do Nascimento, vulgo FB, teria coordenado as ações dos demais comparsas e ainda promovido a cobertura destes no ato da execução dos disparos, ficando no local do crime em um veículo Nissan Versa (preto), placa QNV2899, este conduzido por Bruno Luzardo, sendo apurado, outrossim, que o mesmo denunciado FB teria sido responsável por pagar a recompensa pela execução do crime ao denunciado Roberto e aos demais. 

Consta ainda prova indiciária de que FB teria conduzido Roberto da Baixada Fluminense até o local onde estavam os demais denunciados para fins de planejamento da execução do assassinato de Wesley. 

A participação do denunciado Thiago Júlio Galdino teria sido no sentido de emprestar o veículo Versa Nissan preto para que fosse utilizado na empreitada criminosa apurada nos autos, ficando o denunciado Valder Janílson Chaves dos Santos com a incumbência de levar tal automóvel da cidade do Rio de Janeiro para a Região dos Lagos para que fosse dirigido pelo denunciado Bruno no dia do delito. 

Nessa linha, um policial rodoviário federal prestou declarações em sede policial e deu características físicas do denunciado Valder, notadamente um problema em uma de suas pernas, as quais convergiram com as descrições feitas pelo denunciado Roberto no ato de colaboração com as investigações, havendo também imagens de câmeras do pedágio da Via Lagos que corroboraram a identificação de Valder. 

Mister destacar que Valder foi abordado pela PRF, alguns dias após o crime, quando estava dentro do mesmo veículo Versa, preto, placa GNV-2899 que estava na cena dos homicídios. 

Já o denunciado Édson da Costa Marinho ficou com a responsabilidade de promover o levantamento e monitoramento dos passos da vítima Wesley para dar efetividade ao ato de execução da mesma, sendo aquele flagrado por PMs vigiando a residência da vítima em Cabo Frio, RJ, dias antes do crime (29/07/21), r

O denunciado Chingler Lopes acabou sendo preso em flagrante por crime de receptação por estar dirigindo um dos veículos usados no crime, um Voyage (prata), placa PVC7I45 e, no interior do mesmo, foi achado um bilhete de pedágio da Rodovia Via Lagos no dia 06/08/2021, dois dias após o crime, na via que é trajeto de retorno da Região dos Lagos para o Rio de Janeiro, ressaltando-se que em seu depoimento na distrital o mesmo tentou ocultar sua presença nesta Região dos Lagos. 

Ferramenta importante para demonstração dos indícios de autoria foi a análise do conteúdo dos celulares de alguns dos investigados e das Erbs respectivas, exteriorizando contatos telefônicos dos denunciados na agenda de telefone, trajetos feitos por meio de Uber e indicação de que certos denunciados estiveram nas proximidades de locais frequentados pela vítima Wesley 

Roberto colaborou com as investigações, trazendo informações sobre os veículos usados no crime, nomes e alcunhas dos envolvidos e indicação de trajetos e locais de parada de seus comparsas, o que permitiu a busca com vídeos de câmeras de segurança e confronto com informações obtidas em fontes abertas da internet, dados de monitoramento de estradas e ruas, antenas Erbs, bem como com dados colhidos na base da Secretaria de Segurança Pública em relação a alguns dos então investigados.

 Os indícios convergem para a constatação de que o atentado contra a vida da vítima A ocorreu para assegurar a impunidade do delito praticado contra a vítima Wesley não tendo aquele se consumado por circunstâncias alheias à vontade dos agentes, pois A foi prontamente socorrido em nosocômio. 

Foram exteriorizados indícios de que o grupo criminoso autuou na execução do homicídio da vítima Wesley com a promessa de recebimento de recompensa, notadamente considerando os relatos do colaborador, o denunciado Roberto.

 As vítimas foram alvejadas de surpresa, quando ambas estavam trafegando em via pública de pequenas dimensões, no interior do veículo da vítima Wesley situação que não permitiu que as vítimas opusessem defesa ou até mesmo conseguissem fugir.

 A forma de execução dos crimes, o número de pessoas envolvidas, as provas com indicação do planejamento da empreitada ilícita e ainda os antecedentes de alguns dos envolvidos demonstram que os crimes foram praticados em atividade típicas de grupo de extermínio. 

Todos os denunciados tiveram a prisão temporária decretada, e assim permanecem até a presente data em custódia, salvo os réus Fábio e Luiz Filippe  estando ambos na condição de foragidos da justiça. 

Fábio é apontado pela Polícia Judiciária como elemento de extrema periculosidade, possuidor de mandados de prisão em aberto por homicídios ocorridos em Rio das Ostras, RJ, e o réu Luiz Filippe é apontado como tendo ligações com traficantes da Vila do João, Complexo da Maré, local onde estaria escondido.

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