Casos de Polícia

Atirador celebrou massacres e expôs planos no Twitter e YouTube

Guilherme falava em marcar lugar na história e desprezava humanidade

Guilherme falava em marcar lugar na história e desprezava humanidade

Reprodução/Facebook

Os perfis do Twitter e Youtube de Guilherme Taucci Monteiro, um dos autores do ataque à escola Raul Brasil, em Suzano, mostram obsessão e exaltação por massacres, armas e mensagens de ódio, além do manifesto objetivo de cometer um ato que entrasse para a história.

R7 encontrou e selecionou publicações feitas pelo jovem desde fevereiro do ano passado até a semana do crime.

Na conta do Twitter, as mensagens evidenciam um desprezo pela raça humana e o desejo de realizar algo que chamasse a atenção das pessoas. “Eu não tenho ódio das pessoas, apenas digamos assim que eu não me importo com elas, não me importo de usá-las para chegar a um objetivo”, publicou o jovem. Na conta, ele também escreveu que os seres humanos “não sabem admirar a magnetude (sic) da beleza da natureza, não conseguem ver que os humanos são um peso morto afundando tudo que há de bom e perfeito neste vasto universo”.

Outra publicação deixa claro o objetivo de realizar um ato histórico: “Desde pequeno, eu sabia que tinha algum destino deste tipo, eu sabia que minha existência iria causar algo no mundo, eu sabia que iria marcar meu lugar na história, eu apenas sentia, sentia que não iria conseguir segurar esta vontade latente dentro de mim pra sempre”.

Apesar de ter apenas uma publicação — um treinamento com arco e flechas —, a conta de Guilherme no Youtube aparece nos comentários de diversos vídeos publicados por outros perfis. Estes, em geral, são relacionados a armas, brancas ou de fogo, e massacres.

Em um vídeo intitulado “5 TIROTEIOS EM MASSA MAIS VIOLENTOS DOS EUA (CENAS REAIS)”, ele comenta: “Bom vídeo”.

Guilherme também demonstrava o interesse por locais de treinamentos em campo aberto para atiradores. Em um vídeo que mostra um caçador atingindo um perdigão, o jovem comentou: “Que lugar é esse que você está? Um campo afastado? Uma fazenda?”

Um outro vídeo — um documentário com detalhes do massacre de Columbine — chegou a ter uma discussão protagonizada por Guilherme e outros usuários.

Uma usuária afirmou que “se o Dylan (um dos autores do massacre de Columbine) não tivesse conhecido o Eric (outro autor), talvez muitas coisas teriam sido diferentes”. Na sequência, se iniciou a discussão entre o jovem de Suzano e outro usuário, que se estendeu por quase 20 comentários.

Guilherme escreveu que algo parecido com uma guerra iria acontecer

Guilherme escreveu que algo parecido com uma guerra iria acontecer

Reprodução/Twitter

Entre eles, uma afirmação de Guilherme de que Eric “juntou muito ódio na adolescência, e ele não iria durar muito pra segurar esse ódio, só quem tem entende isso, como ele conhecia o Dylan então foi a oportunidade perfeita, descarregar o ódio e entrar pra história, para ele foi o plano perfeito…”. Na maioria dos comentários, é perceptível a curiosidade e o conhecimento de Guilherme. Alguns destes, inclusive, com ofensas entre os interlocutores.

Outro lado

A reportagem do R7 tentou contato com o Twitter e o Youtube, questionando se as redes sociais monitoraram os perfis do jovem e colaboraram com as investigações.

O Twitter não realiza monitoramento de conteúdo de seus usuários, a não ser em casos de denúncias de outros usuários sobre conteúdos que infrinjam as diretrizes da rede social. Mas, em resposta, preferiu não se posicionar oficialmente sobre um caso específico.

O Youtube, por sua vez, afirmou apenas que “não se posiciona sobre o caso”.

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