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Banca da Grande Rio vendia mais de 10 milhóes de unidades de cigarros por mês e chegou a faturar R$ 45 milhões em menos de dois anos só em Caxias. Escutas mostraram métodos violentos do grupo. ‘Vou mandar sacudir’, ‘Vou quebrar a cara dele’

A quadrilha conhecida como ‘Banca da Grande Rio’, alvo de operação da Polícia Federal essa semana, alcançava a marca de 10 milhões de unidades de cigarros comercializadas por mês.

Sobre o faturamento do bando, entre os meses de setembro de 2019 e fevereiro de 2020, totalizou R$ 9.347.000,00.


Já a média mensal foi de R$ 1.557.867,00.


Projetando-se tal média mensal pelo período imputado na denúncia (feita em 2021), tem-se que o faturamento criminoso alcançou a cifra de R$ 45.178.143,00 apenas do centro de distribuição de Duque de Caxias.


Os pacotes de cigarros eram vendidos nas ´rotas´ por preços que variam entre R$ 25 e R$ 29 , enquanto eram são repassados aos operadores pelo preço de R$ 23.

Já o maço de cigarros deve observar o preço unitário estipulado entre R$ 3,50 à R$ 4,00.


O preço de venda de cada caixa de cigarros inserido nas notas fiscais era de R$ 1.440,00 – , mas o efetivamente pago pelo bando era de R$ 800,00 em 2019 e R$ 900,00 em 2020.


Em áudios trocados por integrantes da quadrilha ficou evidente a estratégia de eliminação da concorrência através de práticas violentas contra aqueles que vendem cigarros diversos daqueles comercializados pela organização.


Jacaré, manda um áudio pros pessoal aí, pro pessoal nosso, operadores aí, que hoje eu falei com o patrão hoje a respeito dessas lojas que estão vendendo aí material clandestino aí na nossa área, na nossa loja aí. Ele falou: primo, tu tem certeza? Eu falei: po primo, tio, primo, eles estão falando aí. Então, manda eles anotar todos os endereços, onde tem sacanagem, que eu vou mandar sacudir. Mas tem que chegar lá e encontrar material lá sem ser o nosso, entendeu? Que eu vou mandar sacudir a cida…, sacudir essas porras toda aí.


Em outra passagem, o acusado Turques falou para o operador de nome ´Querubim´ de atitude que estaria prestes a tomar, quando soube que uma pessoa de vulgo ´Buiú´ estaria vendendo cigarros na área dominada pelo bando.


Não… eu vou ver essa meta aí. Que ele batendo no Pantanal aí, rodando no Pantanal aí, oferecendo material no ponto dos outros. Quero saber se ele é vendedor. To ligando para o Riquinho aqui e não to conseguindo falar com ele. Se não vou descer aí, parar com o carro aí, vou quebrar a cara dele, banca, a porra toda ali´

O colaborador premiado que denunciou a quadrilha disse que nunca presenciou uma agressão mas sabia que existia.


“Eu nunca presenciei, doutor, nunca vi, mas eu já soube caso deles pegar, é, é, bater no cara, entendeu… eles pegar e falar que tinha que vender e o cara tomar uma coça. Mas eu nunca vi. Mas já, já escutei falar que aconteceu isso”

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