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Confira como agia uma das maiores quadrilhas de roubos e furtos de veículos e placas para clonagem e desmanche do Rio de Janeiro. Havia ligação com a milícia

Processo que tramita na1ª Vara Criminal Especializada da Capital traz detalhes de uma investigação iniciada em 2020 sobre o funcionamento de uma quadrilha com 25 pessoas  especializada em roubos e furtos de veículos e placas de veículos, para fins de ´clonagem´, desmanches e cortes, bem como para comercialização de peças e periféricos em diversas localidades do Estado do Rio de Janeiro e na cidade de Nova Iguaçu.

Pelo menos três integrantes que atuavam em ferro-velho tinham ligação com a milícia de Santa Cruz, que recebia carros clonados do bando.


 A investigação se debruçou em diversas diligências, como compartilhamento de informações entre órgãos de segurança, predominantemente a Polícia Rodoviária Federal e a própria Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, extrações de dados informativos obtidos mediante autorização judicial dos aparelhos telefônicos apreendidos na prisão em flagrante ocorrida no dia 22/12/2020, registrada na DRFA sob o Registro de Ocorrência 908-11309/2020, extração de dados e compartilhamento de elementos informativos  

Cumpre destacar que a subtração das placas de identificação de veículos automotores praticada pelos denunciados é vinculada diretamente aos atos preparatórios dessa Organização Criminosa, tendo em vista que posteriormente estas serão objeto de ´camuflagem´ de veículos dos quais estas placas oficialmente identificam (sejam no tocante à marca, cor, ano e/ou modelo) e produtos de crimes contra o patrimônio. 

A ´Camuflagem´ tem por objetivo o ´translado´ dos veículos para a região diversa em que a quadrilha realizava a clonagem ou desmanche de peças. 

Foi constatada a movimentação de dezenas de veículos (em sua maioria das montadoras Volkswagen e Fiat), em Rodovias Federais, ostentando placas furtadas. Essa movimentação era efetuada em dias alternados, costumeiramente entre o horário de 04h e 05h (madrugada), horário da troca de turno do das equipes que realizam o policiamento. 

O trajeto realizado era Rio de Janeiro (acesso pela BR 101, Ponte Rio Niterói) x Rio Bonito (Interior) e Rodovia Presidente Dutra (BR 116). 

Os integrantes da organização criminosa realizam o translado simultâneo de 02 (dois) ou 03 (três) veículos irregulares, sempre com o apoio daquele que exerce a função de batedor o qual se utiliza de um automóvel alugado e com situação regular, assumindo a ponta do translado, assim como a responsabilidade pelo transporte (dos condutores) de retorno ao Rio de Janeiro. 

No período dos meses de julho e novembro de 2020 foram furtadas as seguintes placas (todas com Registros de Ocorrência efetuados em Circunscrição da Zona Oeste do Estado do Rio de Janeiro): LMWOC80, PXZ9J65, FTW0F49, PWP5H50, LBI6J46, LQF5J05, NRQ4F86, LTP8E98, AFV5G63, KOS9684, KWV5A93. 

A organização criminosa descoberta nessa investigação se divide em dois núcleos: O núcleo 1, que é composta pelos agentes responsáveis pelos roubos e furtos do veículos e o núcleo 2, que são os responsáveis pela encomenda dos veículos furtados e roubados, encomendas estas realizadas diretamente aos integrantes do núcleo 1, bem como a outros integrantes ainda não identificados. 

Após o crime originário, os integrantes do núcleo 2, recebem os veículos furtados ou roubados, com a finalidade de revender suas peças. 

Vale ressaltar que alguns integrantes deste núcleo possuem estabelecimentos comerciais afetos a automóveis, tais como ´ferros velhos´, loja de autopeças, oficinas mecânicas etc. Sendo assim, ostentam aparência comercial lícita, na tentativa de ocultar as peças de automóveis oriundas de crime.

Consta nos autos conversas relacionadas a prática de furtos no município do Rio de Janeiro, em especial na região da Barra da Tijuca e adjacências.  Após esses roubos e furtos, o chefe do bando vendia os veículos roubados/furtados no município de Araruama, Casimiro de Abreu e Nova Iguaçu.

Ressalta-se que tais receptadores ´encomendam a subtração dos veículos para posteriormente o adquirirem, com a finalidade de revenda em seus estabelecimentos comerciais,

Em uma escuta telefônica, um integrante da quadrilha ofereceu um veículo prata pelo valor de R$2.500,00, ressaltando que o preço era baixo pois os pneus não estavam bons.

Havia um grupo de WhatsApp voltado para a execução de furtos de automóveis, alocação dos veículos por eles subtraídos e translado destes veículos para posterior receptadores.

Em uma outra interceptação, uma picape foi oferecida a R$ 1 mil mesmo estando completa com gás e em bom estado.

Portas de Gol G5 eram vendidas a R$ 200 pelos criminosos.

Motor parcial do Voyage custava R$ 500.

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