Casos de PolíciaDenunciamilíciatráfico de drogas e armas

Confira relatos de horror passados por oficiais de Justiça e trabalhadores que precisam labutar em áreas dominadas pelo crime organizado no Grande Rio: entregador de farmácia trocava dinheiro em boca de fumo, armas apontadas para a cabeça e rosto, traficante dormindo com fuzil em local de refeição dos funcionários, etc

Processos no TRT-RJ revelam as dificuldades encontradas por oficiais de Justiça para cumprirem seus deveres em comunidades carentes do Rio de Janeiro, além de medo imposto também a pessoas que trabalham nestes locais.


Um dos oficiais de Justiça que precisava cumprir diligência no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, teria avistado a presença de traficantes armados e teria obtido informações com PMs que o logradouro se configurava como área de extremo risco com forte presença do tráfico armado e que até viaturas policiais não circulavam sozinhas por ali posto que seriam alvejadas por criminosos. Não foi possível cumprir a diligência.


Um outro funcionário se dirigiu até a Rua General Rogério de Lima, em Anchieta e constatou que o endereço se situava em local de altíssimo risco no Complexo do Chapadão. Se deparou com ambiente tenso e hostil  com olheiros nos acessos e nas proximidades do logradouro, barricadas fechando as ruas vicinais, pontos de vendas de drogas e forte presença de traficantes armados com fuzis.


Foi alertado por moradores das redondezas a não prosseguir uma vez que o território era vigiado e dominado pelo crime organizado onde a lei do silêncio e o tribunal do tráfico imperam, havendo no local total aversão à polícia e atos judiciais. A diligência também foi interrompida. 

Uma mulher que trabalhava em uma padaria em uma área que era disputada por milicianos e traficantes em Nova Iguaçu. Disse que era ameaçada com arma apontada para o rosto. 


As duas quadrilhas frequentavam o estabelecimento para consumo gratuito e uma delas extorquia os funcionários em troca de uma suposta segurança. Ainda fiscalizavam para ver se estavam pagando a uma facção rival. 


O empregado de uma obra no Complexo do Caramujo, em Niterói, relatou diversos constrangimentos e ameaças à sua vida e integridade física.


Disse que cansou de se deparar com traficantes armados com fuzis dormindo no local de refeição dos funcionários. Os bandidos o ameaçavam a fornecer material e serviços para os moradores.


Um segurança relatou que precisava realizar a escolta de técnicos até áreas de risco dominadas por traficantes e milicianos mas que nunca precisou trocar tiros. Entretanto, já ouviu de colegas relatos que ficaram em sérios apuros vindo até mesmo a trocarem disparos com criminosos.


Um entregador disse que era obrigado por sua empresa a tirar fotos de mercadorias e uma vez quando entrou em área de risco um traficante viu ele tirando fotografias e colocou a arma na sua cabeça.
Um outro trabalhador que atuava em uma área dominada por traficantes em Duque de Caxias falou que o portão do local de serviço ficava aberto, permitindo a entrada de bandidos armados que ali guardavam as drogas e por pessoas que vinham consumi-las. 


Um funcionário que trabalhava com captação de clientes para a concessão de crédito disse que quando visitava a Vila Aliança, em Bangu, traficantes obrigaram ele a cadastrar propostas com documentos falsificados. Falou ainda que foi obrigado a trabalhar na Favela da Carobinha, em Campo Grande, em época de guerra com helicóptero da polícia sobrevoando. 


Um entregador que trabalhava para uma farmácia contou que era orientado a entrar nas comunidades mesmo que tivesse tiroteio e por muitas vezes teve que trocar o dinheiro nas bocas de fumo.

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