Casos de PolíciaPrimeiro Comando da Capital

Conheça a história de Da Leste, apontado como chefe do PCC no RJ

A imprensa publicou nesta quarta-feira (26) que Luciano Iatauro, o Da Leste, virou chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Rio.Ele está preso desde 2018 acusado de trazer 50 kg de maconha de São Paulo para o Rio e devido a esse crime foi condenado no ano passado a sete anos de prisão.

Conheça um pouco da história dele com base em seu relato à Justiça durante o decorrer do processo que respondeu por tráfico.

Em seu depoimento na época em que foi preso, ele contou que ganharia R$ 2 mil pelo transporte. Que, ao ser questionado o motivo pelo qual o réu levava a droga, ele disse que estava precisando de dinheiro. 

Ele disse que tinha pego a droga num bairro específico, do qual não se recorda, em São Paulo, e estava levando para o Rio. Citou que não era a primeira vez que ele estava sendo preso por tráfico e não deixou claro nenhuma relação com alguma facção criminosa. ISobre a droga, ele falou que deixaria na Rodoviária Novo Rio, mas sem conhecimento sobre a pessoa para quem iria entregar.

Ele não conhecia a pessoa que o contratou e iria lhe dar uma ajuda de dois mil reais, mas estava em dívida com ele, por ser usuário de droga.Luciano comprava a droga fiado e, num momento de desespero, foi mandado embora de seu serviço, e, como tem o costume de usar cocaína, entrou em depressão e desespero, e como sempre pagou aluguel de casa, sempre pagou pensão, sempre ajudou sua mãe, que é idosa, acumulou isso, e começou a usar cada vez mais.


 Ele disse ser viciado. Que comprava com um amigo seu. Que ainda é viciado, mas não tem como usar, porque dentro da cadeia não tem. Que em razão da abstinência fica agoniado querendo usar, querendo beber, algo assim. Que tinha uma pessoa esperando-o na Rodoviária do Tietê, que seria uma moça, que não conhecia. Que só conhecia o traficante com quem comprava. Que não tinha amizade com ele. 

Que como devia ele, ele disse que o interrogado teria que fazer esse serviço para ele, para quitar a dívida de droga que o interrogado já tinha com ele, e que ajudaria o interrogado com dois mil reais, porque estava desempregado. 

Passados uns dias, sua ex mulher estava com seus três filhos, em frente à praça, na casa de sua mãe, esperando o interrogado pegar os meninos; que, quando estava chegando de carro com sua namorada, com quem mora de aluguel, o traficante a quem deve estava lá perante seus filhos e conversando com sua ex mulher. Que, por isso, entrou em desesper
o. 

Falou que o traficante não conhecia sua ex mulher e seus filhos antes. Que quando desceu para perguntar o que ele estava fazendo lá, ele, de imediato, falou que agora sabia quem eram seus filhos, e sabia onde sua mãe morava. 

Cada dia que passava, o traficante o encontrava na região onde sua mãe mora, dizendo que o interrogado teria que fazer esse serviço para ele. Que chegou a perguntar para um amigo seu que tipo de serviço seria esse. Que seu amigo disse que serviria de mula, que serviria para transportar drogas ou armas. 

Salvo engano, esse traficante faz parte da facção do PCC. Que está preso na cadeia de Terceiro Comando Puro (TCP) no Rio, porém, não se vê no seguro, por ter estupradores, pedófilos. 

Como não havia cadeia neutra, o colocaram nessa prisão de terceiro, porém, não o deixaram no isolamento com detentos do Comando Vermelho (CV)´, por existir rivalidade entre o PCC. 


Ele disse ter ficado com medo de acontecer algo consigo dentro da cadeia. Que quem estava ligando para seu celular sem parar era o traficante com quem comprava cocaína. Que não chegou a atender porque não deu mesmo, e com muito medo que acontecesse alguma coisa, pois ele estava o ameaçando de morte. 

Falou que foi obrigado a fazer esse serviço. Que, na realidade, nem chegou a receber o dinheiro. Que não tinha feito isso nenhuma vez. Que não tinha feito nenhum serviço desse; que foi a primeira vez e única, porque foi obrigado. Disse que não era traficante e não mexe com nenhuma facção. Que mandou mensagem para sua companheira, pois ela sabia que estava sendo ameaçado e estava o acompanhando pelo telefone. Que ela sabia que o interrogado devia o traficante e que estava sendo obrigado a fazer esse serviço. Que ela era a única pessoa que sabia disso. 

Falou que foi absolvido pelo crime de tráfico que respondeu em São Paulo, e no uso também. Foi inocentado nos dois por estar no local errado e comprando drogas. Que foi em 2009 e 2010. 


Contou que não tinha ciência de quanto custa a mercadoria que estava transportando. Que, como usuário, tem ciência da ´endola´, que custa dez reais, cinquenta reais. Que não sabe estimar quanto seria a mercadoria que transportava. Que não sabe para qual facção estava indo a droga. Que só iria deixar na Rodoviária do Novo Rio mesmo. Que não sabia para quem entregar e também não sabia a quantidade, porém, soube quando os policiais fizeram essa abordagem. 

Falou ainda que ficou com muito medo de falar o que estava acontecendo consigo, porque não sabia o que poderia acontecer com sua família, e até hoje não sabe. 

Disse que não sabia qual facção é parceira do PCC no Rio. Que não trabalhava de carteira assinada já fazia uns dois anos. Que estava sobrevivendo trabalhando numa pastelaria, de um amigo de sua esposa, mas sem carteira assinada. Que ganhava novecentos reais por mês. Que tem três filhos menores e ele o ajudava com isso para que pudesse pagar a pensão dos seus filhos. Que estava desempregado e devendo por ser usuário. Segundo ele, sua mãe e sua namorada estavam pagandosua advogada. Que eles não podiam ajudar a pagar a dívida com o tráfico porque ele não queria mais a dívida e porque sua mãe também não teria esse dinheiro para pagar. Que ele queria mil e quinhentos reais e, na época, sua mãe não tinha dinheiro para pagar. Que sua mãe também ficou com medo de acontecer algo. Que sua mãe está pagando por mês a advogada. Que ela está pagando duzentos reais por mês e as duas estão ajudando. Que não sabia que o que estava transportando era maconha.

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