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Conheça os esquemas de El Patron, narco colombiano preso no Brasil desde 2019 e que foi extraditado para os EUA

O narcotraficante colombiano Guillermo Amaya Ñungo, de 57 anos, vulgo El Patron, preso em Fortaleza em 2019, foi extraditado pela Polícia Federal para os Estados Unidos durante operação sigilosa para evitar qualquer intercorrência.


Um relatório do Supremo Tribunal Federal (STF) revela como operava a organização comandada por El Patron, que teve destaque no mundo do crime na década de 2000.


El Patron fazia parte da organização criminosa DTO, responsável pela remessa de grandes quantidades de cocaína para os Estados Unidos. 


A quadrilha usava sofisticada infraestrutura para fabricar, adquirir, armazenar,  transportar e distribuir cocaína com o uso de reboques e outros veículos que continham compartimentos ocultos para o transporte da droga de laboratórios clandestinos da Colômbia em lanchas rápidas, aeronaves, navios de carga ou outras embarcações marítimas.


A cocaína da DTO primeiro ia para os Estados Unidos e depois era levada para outros países como Belize, Panamá, Costa Rica, Honduras, República Dominicana, Guatemala e México.


El Patron  era encarregado na DTO da aquisição de aeronaves, a organização de pistas de pouso clandestinas ao longo das rotas de contrabando e a coordenação de esforços para evitar a detecção de autoridades durante as ações do bando. 


A partir de 2007, a polícia começou a interceptar várias comunicações entre membros da DTO. Foram mais de 900 telefones. As ações resultaram na captura de vários integrantes do grupo coordenando empreendimentos de cocaína, organizando a compra e o uso de aeronaves e discutindo apreensões de drogas da quadrilha.


Entre as apreensões, destacam-se:


– 97 kg de cocaína apreendidos na República Dominicana em setembro de 2008- 1.080 kg de cocaína na Colômbia em outubro do mesmo ano- 283 kg da droga em Medellín (Colômbia) em dezembro de 2008- 670 kg em Cartagena (Colômbia) no mesmo mês, – 390 kg em Buenaventura (Colômbia) em abril de 2009- 326 kg em Ibagué (Colômbia) em agosto de 2009- 104 kg em Cáli (Colômbia) no mesmo mês.


Em dezembro de 2007, El Patron e outros membros do DTO foram interceptados discutindo os preparativos para o transporte de uma carga de 2,5 toneladas da Colômbia para a Guatemala a caminho dos Estados Unidos.As autoridades identificaram um avião que seria usado na empreitada. 


Segundo conversas, o bando gastou US$ 90 mil para usar o avião e o quilograma da droga seria vendido entre US$ 12 mil e US$ 17 mil.


Na mesma época, El Patron foi flagrado em outra escuta dizendo que tinha 30 milhões de pesos que ele precisava depositar. 


O bando usava uma linguagem codificada para fazer acordos financeiros para contrabandear remessas de cocaína. 


Ainda em dezembro de 2017, autoridades detectaram um avião da quadrilha entrando no espaço aéreo do Panamá e foram captadas conversas em que os membros da DTO alertavam os tripulantes da aeronave sobre a ação policial. Esse avião levaria 2.500 kg de cocaína da Colômbia para a Guatemala e Estados Unidos. 


Foi descoberto também que El Patron tentou usar aeronaves com registro nos Estados Unidos para transportar cocaína. Ele inclusive propunha suborno, oferecendo como troca dinheiro ou cocaína. 

Mais recentemente, em 2014, El Patron coordenou o deslocamento de uma aeronave de Honduras até Belize onde ela foi preparada para enviar 1.600 kg de cocaína para a Venezuela. 


De acordo com as investigações, Guillermo entrou no Brasil pelo município de Pacaraima, em Roraima. Ele residia com a família em Fortaleza, no bairro Lagoa Redonda, usando documentos falsos com o nome “José Jesus Rodríguez Hernandez”. 

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