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CV investiu R$ 1,5 milhão para resgatar traficante de hospital e abafou plano de facção rival em capturá-lo

Relatório da Justiça revela que a facção criminosa Comando  Vermelho (CV) teria investido R$ 1,5 milhão para resgatar o traficante  Nicolas Labre Pereira de Jesus, o Fat Family, em junho de 2016, do Hospital Municipal Souza  Aguiar, no Centro do Rio de Janeiro. Fat Family morreu três meses depois em um confronto com a polícia. Não foi informado, no entanto, para quem foi dado esse dinheiro na época para que o resgate fosse consumado.


Segundo informações do relatório, com esse dinheiro, o CV abafou uma tentativa da facção rival Amigos dos Amigos (ADA) de tentar capturá-lo.

Segundo o documento, o plano foi financiado pelos traficantes Marco Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor,  Isaías da Costa Rodrigues, o “Isaías do Borel”, e Magno Fernando Soeiro Tatagiba de Souza, o “Magno da Mangueira”).


Fat  Family era irmão de My Thor. Durante o seu resgate, uma pessoa morreu e duas ficaram feridas.


A informação sobre a autoria do resgate consta no conflito de competência que foi suscitado pela Vara de Execuções Penais do TJ-RJ devido a decisão do Juízo Federal de Direito da Seção de Execução Penal de Catanduvas/PR que, por decisão de 11 de novembro de 2019, indeferiu pedido de renovação do período de permanência de My Thor na penitenciária federal da cidade e determinou seu retorno ao Rio de Janeiro. No final, acabou se decidindo pela permanência do bandido fora do Estado do RJ.

My Thor


O documento informa que, de acordo com o extrato de inteligência produzido pela Secretaria de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, My Thor é um dos líderes do Comando Vermelho, com atuação no tráfico de drogas nacomunidade do Santo Amaro, zona sul do Município do Rio de Janeiro e seria o chefe das atividades criminosas monopolizadas por sua família na região, havendo evidências de que da organização criminosa participam seu tio (Edson Pereira Firmino de Jesus, conhecido como “Zaca”), preso em maio/2013, e seu pai (Jorge Edison Pereira Firmino de Jesus, conhecido como “Bolito” ou “Balote”). Também participava da quadrilha o falecido Fat Family. 


A influência de My Thor se estenderia para os morros dos Prazeres e Escondidinho, no bairro de Santa Teresa, local controlado por Marcelo da Silva Guilherme, conhecido como “Marcelinho dos Prazeres” e homem de confiança do traficante.


Ainda de acordo com o extrato de inteligência, “No dia 19 de abril de 2019, houve uma operação policial com o objetivo de prender lideranças do Complexo Vermelho que haviam protagonizado confrontos no Morro da Coroa e Complexo de São Carlos, ambos na região central do Rio de Janeiro. Na operação foram presos Carlos Eduardo Martins de Oliveira, conhecido como” Menor Dú “, e Hugo de Jesus Lábio, conhecido como” Manguaça “. Segundo conhecimentos de Inteligência, ambos pertencem à quadrilha de” Bodão “, os quais, com a anuência de” My Thor “, estariam ocupando a comunidade de Morro Azul juntamente com outros nacionais provenientes do Morro do Santo Amaro  

Alegou ainda a Justiça estadual que My Thor foi condenado há alguns anos por lavagem de dinheiro dinheiro, juntamente com sua esposa e sua advogada (Beatriz da Silva Costa) demonstrariam que continua se beneficiando e exercendo poder sobre a organização criminosa mesmo da prisão, assim como sobre os membros que compartilham a unidade prisional, passando informações através de visitantes.


 O relatório de inteligência afirma que My Thor acumula um total de 39 advogados cadastrados como ativos para seu atendimento e acesso ao cárcere. Tal fato, segundo a Justiça,  evidencia uma exigência financeira considerável incompatível com a situação atual dele, o que indica a possibilidade de o apenado estar sendo financiado com recursos provenientes de possíveis atividades ilícitas.

Para o Juízo Federal, entretanto, não existiriam elementos concretos que indiquem, ainda hoje, vínculo efetivo de My Thor com a organização criminosa Comando Vermelho, mesmo que a Secretaria de Estado de Segurança do Rio de Janeiro/RJ entenda que o “resgate” do irmão do custodiado seja, de alguma forma, indicativo da presença, ainda hoje, de sua influência na organização criminosa.


Isto porque “Fat Family” veio a óbito em 26/09/2016, o que seria um indicativo de que “não há como se presumir eventual influência do custodiado sobre este segmento do CV, mesmo após a morte de seu irmão”  e que o fato de ter recebido uma média de três visitas por mês no ano passado e ter sido condenada, em 2017, determinada advogada que teria atuado em sua defesa.

Um dos envolvidos no resgate de Fat Family, Neversino de Jesus Garcia, o Garcia do Vidigal, permanece foragido até hoje e tem recompensa de R$ 1 mil pedida pelo Disque Denúncia.

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