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Dono dos bingos, Bernardo Bello era protagonista nos ´acertos de contas´ entre contraventores da ´Família Garcia´ e também na cúpula do jogo do bicho no RJ. Em escuta, ele disse que estava disposto a ‘matar ou morrer’

Segundo as investigações do Ministério Público Estadual, o contraventor Bernardo Bello atuaria como ´dono´ (como se autointitulam) das áreas onde se situam os bingos Olímpico, Viveiros (em Copacabana) e Maxwell (em Vila Isabel). 

Diante disso, receberia da organização criminosa o pagamento de taxa denominada ´chão´ para a exploração de jogos de azar nos pontos de seu domínio. 

A ele também é atribuído o protagonismo nas disputas e ´acertos de contas´ entre ´contraventores´ pelo domínio da exploração de determinadas áreas, envolvendo em especial a conhecida (pelo submundo do ´jogo do bicho´) ´Família Garcia´. Disputa essa que, historicamente, é marcada por uma letalidade intensa e desenfreada. Neste particular, dados de produção de conhecimento dão conta de inúmeros homicídios, tentados ou consumados, relacionados à disputa de contraventores que se instaurou/intensificou após a morte de Waldomiro Paes Garcia, o Miro e Waldemir Paes Garcia, o Maninho.

 Aqui o MP ilustra com a indicação dos homicídios consumados de José Luiz de Barros Lopes, vulgo ´Zé Personal´; Myro Garcia, vulgo ´Myrinho´; Alcebíades Paes Garcia, vulgo ´Bid´ e a tentativa de homicídio de Shanna Harrouche Garcia.

 Neste cenário, o afastamento do sigilo de dados armazenados em aparelhos celulares apreendidos na residência do denunciado Mizinho noticiam diálogos mantidos entre ´Mizinho´ e Bernardo no período de julho a agosto de 2019, por meio de um ponto a ponto, que indicam a existência da disputa pelo domínio do que seriam pontos de contravenção da ´Família Garcia´, na zona sul do Rio de Janeiro. 

Nessa linha, em sede de cognição sumária, tem-se que os diálogos (noticiados em fotografias – ‘prints’- de diálogos de aplicativos, recuperados na quebra de dados estáticos do aparelho de Mizinho´), conferem sérios indicativos de que os dois possuem vínculo na atividade ligada ao submundo da contravenção. 

 Outras passagens conferem plausibilidade à pressuposição acusatória que Bernardo Bello teria participado do homicídio de Alcebíades Paes Garcia, vulgo ´Bid´, em ambiente de disputas da ´Contravenção´.

A propósito, Shanna Harrouche Garcia foi vítima de um atentado no dia 08/10/2019 (pouco mais de 2 meses após os já mencionados diálogos, Já Alcebíades Paes Garcia, vulgo Bid´, foi assassinado em 25/02/2020.

Ademais, extremamente relevantes são as falas retratadas atribuída a Bernardo Bello, que sugerem seu envolvimento com o mundo do crime, bem como estar disposto às últimas consequências, ´matar ou morrer´, pelos seus objetivos deliquentes. 

Confiram-se alguas passagens: ´Por isso q estou falando q só depende dele!´ ´N quero um problema, quero um amigo´ ´Mas se ele achar melhor sermos um problema um pro outro a vida segue até um cair´; (…) ´Irmão essa porra não eh vídeo game, É crime´ ´Cada um escolhe um lado e senta nele´. Na mesma linha é a fala de Mizinho´Irmão sou de palavra trabalho com crime a 22 anos sou cria de favela não vou dar mole nunca´ ´sou bandido´

A Bernardo também foi atribuído protagonismo no que seria a ´cúpula´ da contravenção do Estado do Rio de Janeiro. Neste ponto, o MP identificou as seguintes pessoas: Capitão Guimarães e seu filho Luiz Guimarães; Anísio Abraão David e seu filho Gabriel Davi; e Almir Reis.

Apontado como o autor intelectual da morte de Bidi, para fugir da polícia, Bernardo protagonizou uma tentativa de fuga internacional, se deslocando de Dubai (onde se encontrava) para a Holanda e, em seguida, de lá para a Colômbia, onde, finalmente, acabou localizado e detido em virtude de rastreamento realizado pela Interpol´. D

e acordo com o Parquet, ´na ocasião se apurou que Bello realizou o trajeto de Bogotá para Cartagena de carro, ao passo que sua família fez tal percurso por meio de transporte aéreo, o que apenas confirma a tentativa de fuga do aludido denunciado e o risco concreto de que o mesmo em liberdade representa risco à aplicação da lei penal´

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