Ex-PM do bando de Ecko delatou comparsas e tinha ‘cabeça’ valendo R$ 500 mil

Preso desde 2018, integrante da Liga da Justiça, um ex-policial militar miliciano teve papel fundamental na condenação, no ano passado, de oito membros (ele próprio foi) da quadrilha já que passou informações à polícia sobre o bando.


Por conta disso, em seu relato na Justiça, contou ter ouvido dizer que sua morte foi encomendada por R$ 500 mil. 


Segundo os autos, ele teria dado informações à polícia sobre a tal festa realizada no Sítio Três Irmãos, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, em que mais de 100 pessoas foram presas em 2018 e que quatro suspeitos foram mortos em confronto com a polícia.


Ele confessou que estava envolvido com o grupo de milicianos que atuava em Seropédica. Que o grupo era dominado por Carlinhos Três Pontes, morto em confronto com a polícia em 2017, e ele que teve que sair do município após a morte dele. Contou que tinha a função de guardar armas de fogo para o grupo miliciano e recebia R$ 500 por semana.   

Em seu depoimento, revelou que tentou fazer acordo com o Ministério Público depois que foi preso e recebeu ameaça no próprio presídio. Seus familiares foram ameaçados e tiveram que deixar o lar.


Disse acreditar que houve um vazamento sobre sua intenção de delatar e confidenciou que a organização criminosa da qual fazia parte realizava diversas atividades, tais como transporte alternativo, comercialização de botijões de gás, serviços de televisão a cabo clandestina, terraplanagem e loteamento de terrenos irregulares, serviços irregulares de cobrança, etc.


A quadrilha investigada atuou de 2015 até o ano passado, nos bairros de Santa Cruz, Paciência e Sepetiba, na Zona Oeste da capital, com ramificações às regiões de Nova Iguaçu e Seropédica.


A apuração começou a partir de uma operação que ocorreu na Favela do Aço, em Santa Cruz, que seria o quartel general da milícia; que durante a operação foi encontrado um homem amarrado no alto do morro; que a pessoa que mantinha a vítima logrou empreender fuga.