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Ex-PM preso por assassinato era de milícia que matava mas também ajudava traficantes na Baixada

Preso nesta quarta-feira (11) acusado de matar um homem em 2015, um ex-policial militar integrava a milícia do Cerolzinho, um grupo de extermínio formado na década de 2000 que extorquia e matava traficantes de drogas.

Ao mesmo tempo, os paramilitares também ofereciam armas e faziam manutenção delas ao tráfico na Baixada Fluminense.

Além disso, o tráfico e a milícia se protegiam mutuamente de eventuais represálias de policiais militares que não estavam envolvidos com o crime. 


Cerolzinho, na verdade Diego de Castro Magalhães de Souza”, está preso no Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, cumprindo pena pelos crimes de homicídio, formação de quadrilha e posse de arma de fogo de uso restrito.


O crime atribuído ao ex-PM preso do qual foi vítima Jeferson Poveda Leandro, ocorreu no bairro Xavantes, em Belford Roxo, e foi provocado por uma disputa de território entre os grupos de milicianos da região.

Agente duplo

Cerolzinho foi interceptado em uma escuta telefônica no início da década conversando com um traficante que dominava a comunidade do São Leopoldo que reclamou que a milícia havia matado um ‘fiel’ seu, no caso, Felipe Vicente de Moura.


Na ligação, Cerolzinho disse que ajudaria o traficante a elucidar o crime, que não concordava com o assassinato e ofereceu armas e a manutenção delas para outro criminoso. Inclusive falou que iria conversar com alguém da Corregedoria da PMERJ sobre o caso já que um PM de sua quadrilha estava envolvido na morte de Felipe.

O traficante, por sua vez, disse que daria uma ´merendinha’ para Cerolzinho.

A quadrilha, no entanto, costumava matar integrantes do tráfico para ficar com o espólio de armas e drogas.


Agia principalmente no bairro de São Vicente e cometia vários crimes, dentre homicídios, exploração ilegal de sinal de TV a cabo (´gatonet´), posse e comércio ilegal de armas de fogo, agiotagem, extorsões a traficantes, exploração ilegal de serviço de segurança armada, fornecimento irregular de água potável e exploração de comércio ilegal de venda de cestas básicas, todos cometidos para garantir o domínio naquela região e possibilitar suas atividades lucrativas.

Um oficial da PM identificado como Tenente Amaral fazia parte do bando. Outros maus policiais colaboravam com o grupo. Eles ofereciam seus ´serviços´ através de códigos previamente combinados,

oferecendo telefone da Central para eventual ´necessidade de apoio´.
A organização realizava invasões em áreas dominadas pelo tráfico para forçar o pagamento de propina ou para se apoderar de armas e bens pertencentes ao tráfico, o conhecido ´espólio de guerra´.


A milícia foi acusada de executar Diogo Custódio Ferreira, 20, que era usuário de drogas, após ele se recusar a fornecer para a quadrilha o nome do chefe do tráfico do Barro Vermelho.

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