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Facção do Ceará é abastecida com cocaína pura de um dos maiores cartéis da Colômbia. Saiba mais sobre o GDE

Uma das maiores facções criminosas do Nordeste, a Guardiões do Estado (GDE), no Ceará, é abastecida com cocaína direto de um dos cartéis mais poderosos do mundo, o de Cáli, na Colômbia, segundo relatório do Superior Tribunal de Justiça feito com base em extração de dados de aparelhos usados por integrantes do grupo. A droga chega pura do país vizinho. 


  Sufocada no Ceará com a prisão de diversos líderes desde que aconteceu a Chacina das Cajazeiras, em 2018, a facção conseguiu se ramificar para o Rio Grande do Norte e para Alagoas. A informação foi confirmada pelos dois chefes presos, em depoimentos à Polícia Civil.


 Um deles ainda revelou que a facção cearense teria hoje 35 mil membros, os quais têm de pagar com uma mensalidade de R$ 50,00 recolhida pelo chefe de cada bairro, para ser repassada aos familiares dos presos que estão no sistema penitenciário federal. 


No início da organização criminosa, os integrantes da facção não eram obrigados a efetuar esse pagamento, o que no início, ajudou a atrair grande quantidade de jovens para o grupo.   

  Os integrantes da GDE ingressam na organização mediante indicação de um “padrinho”, geralmente membro mais antigo que goza de credibilidade, passando a adotar um apelido ou nome de “batismo”, tudo registrado em cadastro próprio. 


Além disso, os membros contribuem com o pagamento de uma mensalidade destinada à manutenção das atividades criminosas da facção, sobretudo para a compra de armas de fogo, pagamento de propina, aquisição de drogas, proteção dentro do sistema prisional, etc. Atualmente, existem milhares de membros ativos da organização criminosa encarcerados em penitenciárias cearenses.  

  Com efeito, a GDE é uma organização criminosa local, formada, predominantemente, por jovens moradores da periferia, arregimentados entre aqueles com perfis violentos para a prática de roubos de veículos, residências, tráfico de drogas, homicídios, expulsão de moradores, incêndio a ônibus, ataque a prédios públicos, dentre outras, fazendo uso em suas ações de armas de fogo. 


Trata-se de uma facção descentralizada, que tem uma liderança em cada bairro, que aceita adolescentes e adultos jovens com a promessa de uma vida promissora no crime. 


Com um começo não muito promissor, a GDE foi descoberta pelo Comando Vermelho e passou a agir de forma mais incisiva, inclusive na onda de ataques ocorrida em abril de 2016, quando um carrobomba foi colocado em frente à Assembleia Legislativa do Estado. 

O Comando Vermelho foi o primeiro grande aliado da GDE. “Eles têm um nível de organização diferente do PCC. 
 Foi quando eles deixaram de ser criminosos de bairros e passaram a se sentir parte do que eles consideram grande. Foi quando eles sentiram que já não eram mais uma gangue, mas uma facção”. 


Com o racha nacional entre o PCC e o CV, as outras facções também foram afetadas e sentiram os reflexos. Aos poucos a parceria entre CV e PCC foi se desfazendo e a facção local se aproximou do PCC dentro do presídio. 
Em poucos anos, a facção travou uma guerra sangrenta com o CV no Estado, o que resultou no número de mais de 5 mil mortes em 2017, ano com recorde de homicídios no Ceará. 


A guerra pelo tráfico de drogas continuou acentuada em 2018, com a ocorrência de cinco chacinas, com o total de 39 mortes, no primeiro semestre daquele ano. 


Duas matanças, que ficaram conhecidas como Chacina das Cajazeiras e Chacina do Benfica, tiveram a autoria atribuída ao GDE. 

 Membros do GDE encontram-se cadastrados nos grupos do aplicativo Whatsapp denominado “Punição GDE e Resumo Punição” apontado como o grupo responsável pela cobrança das “Caixinha”, ou seja, a contribuição mensal por fazer parte da referida facção e utilizada como forma na arrecadação de proventos para o custeio da organização criminosa – e para aqueles que estavam em atraso, eram julgados pelos membros que exerciam a função de Punição e, se condenados, deveriam quitar a dívida dentre outras consequências  

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