Casos de PolíciamilíciaPrisão

Homem confessa ser olheiro da milícia, vai preso e a Justiça manda soltar alegando que ele não representava perigo

Ao ser abordado pela polícia, um homem confessou fazer parte da milícia que domina a comunidade do Rola, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio e que comprou uma motocicleta produto de roubo. Foi preso mas dias depois acabou solto por determinação da Justiça que alegou que ele não representava perigo.


Narra a denúncia que, com base em informações de inteligência, policiais civis se dirigiram a uma das entradas da comunidade do Rola, ocasião que avistaram o suspeito (Marco Antônio Felinto da Silva) de posse de um rádio transmissor e conduzindo uma motocicleta da marca Honda Bros, de cor vermelha, placa KYO 5726, com todos sinais de identificação adulterados.

Os agentes da lei, após consultar o banco de dados da PCERJ, verificaram que a motocicleta era produto de roubo, registrado no R.O. 043-00576/2019.

No momento da prisão, o denunciado declarou aos policiais civis que integrava a milícia privada que domina a localidade e exercia o papel de ´olheiro´, que consiste em comunicar aos outros comparsas sobre a presença de policiais na comunidade.

Relatou, ainda, na delegacia, que pediu aos integrantes da milícia para trabalhar como ´´radinho da milícia´, e desde então vem trabalhando todos os dias, no horário de 06h às 18h, com a função de informar aos seus comparsas, via rádio transmissor, sobre todos os veículos desconhecidos que passam pela comunidade, inclusive viaturas policiais e demais órgãos públicos, e que receberia a quantia R$300,00  por semana.


Por fim, o acusado afirmou que adquiriu uma motocicleta de um conhecido pelo valor de R$1.000,00 (um mil reais), tendo conhecimento de que o veículo era produto de crime de roubo.

No dia 03/07/2020, foi proferida decisão que recebeu a denúncia, bem como manteve a prisão cautelar decretada em face do acusado.


A Justiça argumentou que, observadas as circunstâncias do fato e das condições pessoais do agente, entendia que a prisão provisória devia ser substituída por outras medidas cautelares . A FAC (Folha de Antecedentes Criminais) do acusado não apontava outras anotações.


A Corte verificou ainda que as circunstâncias do caso concreto não revelam perigo gerado pelo estado de liberdade do denunciado. Neste cenário, concluiu-se pela superveniente desnecessidade da prisão cautelar.

Mostrar mais
Botão Voltar ao topo