Casos de PolíciaComando VermelhoDenunciainvestigaçãoOperação PolicialPrisão

Investigação que gerou mandado de prisão contra dono de arsenal do Grajaú descobriu que quadrilha pagava cestas básicas de R$ 100 para companheiras de traficantes presos. Veja como polícia chegou nos bandidos

  O processo que resultou em mandado de prisão contra Vitor Furtado Rebollal, dono das mais de 50 armas achadas em uma casa no Grajaú em janeiro, revela que ele participava de uma quadrilha que no ano de 2018 mais especificamente entre os meses de abril e novembro, nas comunidades do Complexo do Salgueiro, Complexo da Almerinda, Morro da Viúva (Apollo III) e Jardim Catarina, em São Gonçalo;  Morro do Preventório, em Niterói; e comunidades do Jacarezinho, Rato Molhado, Morro do Engenho, Manguinhos, Complexo do Lins, Parque União e Fallet/Fogueteiro, na cidade do Rio de Janeiro.

O bando pagava cestas básicas para companheiras de traficantes presos, no valor de R$ 100.  


Através das investigações realizadas no bojo do Inquérito Policial nº 902-00034/2018, instaurado pela Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), foi possível identificar núcleos de atuação da facção criminosa autodenominada “CV – Comando Vermelho”,  tendo como objetivo delituosos primordial a comercialização de entorpecentes em “boca de fumo”.

Seus integrantes agiam em diversas linhas, desde as relacionadas à venda de entorpecente (incluindo atividades como aquisição, transporte, embalagem e contabilidade das drogas, além do monitoramento dos pontos de venda com rádios transmissores), como as orientadas para crimes paralelos, mas correlacionados ao tráfico, como a compra e venda de armas de fogo e munições, a execução de roubos coordenados, a receptação de veículos e a prática de homicídios em série, dentre outros. 

A investigação conseguiu identificar alguns desses núcleos, em comunidades do Rio de janeiro, de Niterói e de São Gonçalo, a partir da quebra de sigilo de dados telefônicos, telemáticos e informáticos, interceptação de linhas telefônicas e outras diligências como pesquisas em perfis de redes sociais, reportagens na imprensa etc. 


Mais precisamente, a investigação teve início no mês de março de 2018, com a incursão de policiais civis da Delegacia de Combate às Drogas – DCOD – no Complexo do Salgueiro, conjunto de comunidades do município de São Gonçalo sabidamente dominado pelo tráfico de drogas. 


Ao chegarem ao bairro Mirambi, os policiais se depararam com diversos criminosos que, ao serem avistados, empreenderam fuga, tendo um deles abandonado uma bolsa – a qual continha drogas, um aparelho celular, uma balança de precisão e outros objetos. 


A autoridade Policial representou pela quebra do sigilo do aparelho telefônico e o conteúdo armazenado na memória do aparelho foi minuciosamente analisado. 


 Assim foram encontradas inúmeras conversas no aplicativo WhatsApp com pessoas envolvidas com tráfico de drogas. 


Diante disso, a autoridade policial requereu a interceptação das linhas telefônicas vinculadas aos contatos de WhatsApp que haviam trocado mensagens relacionadas ao tráfico de drogas com o então possuidor do aparelho. ]


Após cinco períodos de escutas telefônicas, foi possível identificar os integrantes de alguns dos núcleos de atuação da Facção Comando Vermelho, bem como delinear suas funções e seus modus operandi. 


Em resumo, foram identificados criminosos que se associaram, de maneira estável e permanente, para a prática de atividades relacionadas aos tráficos de ilícitos de entorpecentes 


No núcleo de São Gonçalo foi descoberta a atuação de Gabi ou Bibi, que administrava o fornecimento das “cestas básicas”, as quais funcionam como auxílios financeiros, de cerca de R$100,00 (cem reais), às companheiras de traficantes que foram presos “em serviço”, para que elas possam, além de visita-los, comprar alimentos para suas casas. 

Mostrar mais
Botão Voltar ao topo