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Líderes da milícia trocaram mensagens após assassinato de policial federal em Santa Cruz para organizar alteração da cena do crime

A Justiça Federal está processando dois integrantes da quadrilha do miliciano Wellington da Silva Braga, o Ecko, por organização criminosa.
São eles Leandro Pereira da Silva, o Léo do Rodo, que está preso, e Francisco Anderson da Silva Costa, vulgo PQD.


A investigação começou após o assassinato de um policial federal na comunidade do Rola, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, em 13 de fevereiro deste ano, da qual Léo e Francisco respondem também.
Os autos mostram que, após aquele crime, Léo do Rodo determinou a alteração da cena do fato atendendo uma ordem de PQD.

Para tanto, Léo do Rodo falou a seus subordinados, ainda não

identificados, a aposição de inscrições, tanto na viatura, quanto nos muros ao seu redor, alusivas à facção criminosa denominada “Comando Vermelho”, no intuito de ludibriar os investigadores e o juiz do processo de modo que acreditassem que os ilícitos tivessem sido praticados por integrantes daquela organização criminosa, e não do grupo miliciano do qual os denunciados faziam parte.

Segundo os autos, às 15h46min daquele mesmo dia, Léo do Rodo o fora informado por um de seus subordinados, identificado apenas

como “Lek”, de que a viatura policial havia sido pichada, conforme previamente determinado.

Na sequência das mensagens, Léo ordena que lhe sejam enviadas fotos que comprovem a adulteração da cena do crime, como forma de se certificar de que tudo tinha sido executado como determinado por PQD.

Além disso, por volta das 16h25min, também por determinação de Léo do Rodo, a viatura policial foi ardilosamente deslocada, por indivíduo ainda não identificado, do local onde se encontrava até a Rua São Lourenço, onde foi abandonada em frente ao imóvel de nº 11, a cerca de 1 Km do local do homicídio.

O Laudo nº 316/2020-NUCRIM/SETEC/SR/PF/RJ, que examinou o local do crime, constatou que, de fato, a cena fora totalmente desfeita, inclusive com a manipulação do cadáver da vítima que fora arrastado para o banco do carona e colocado de ponta-cabeça.

O Relatório de Análise de Dados nº 003/20204 deixa clara a intensa troca de informações entre Léo do Rodo e PQD, iniciada logo

após a realização dos disparos, evidenciando assim que o primeiro (Léo do Rodo) mantinha o segundo (PQD) permanentemente informado sobre o que estava ocorrendo e repassava as ordens deste último aos seus subordinados.

Assim que tomou conhecimento do ocorrido, PQD passou a cobrar informações de seu subordinado na hierarquia miliciana, Léo do Rodo, A partir de então, iniciou-se uma intensa troca de mensagens e ligações entre ambos.

Os autos mostram que, a partir de data que não se pode determinar, mas, pelo menos, desde o mês de outubro de 2018 – quando a organização criminosa autodenominada “Liga da Justiça” expulsou os

traficantes de drogas que atuavam nas Comunidades do Rola e Antares, em Santa Cruz – até a data dos

crimes acima descritos (13/02/2020), PQD e Léo do Rodo integraram, a organização paramilitar, cuja finalidade era a de praticar as mais diversas infrações penais, que vão desde a exibição ostensiva de armas de fogo e a extorsão de comerciantes locais, através da cobrança da chamada “taxa de segurança”, até a exploração clandestina de serviços de TV a cabo, popularmente

conhecida como “Gato Net”, e agiotagem, dentre outros.

Um trecho extraído da investigação mostra Léo do Rodo acertando contas com um indivíduo, identificado apenas como  Neném oportunidade em que mencionam expressamente a exploração clandestina de serviços de TV a cabo, vulgarmente chamada de “GatoNet”:

De acordo com o que foi apurado nos autos do inquérito policial que acompanha a presente, os denunciados integram organização criminosa responsável pela prática uma série de delitos nas regiões de Nova Iguaçu e, em alguns bairros da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, como Jacarepaguá, Santa Cruz e Campo Grande, atuando de forma organizada e com um sistema de poder hierarquizado, coma possibilidade de fungibilidade de seus membros que cumpriam as ordens providas no “líder” do aparelhamento criminoso. Porém, todos os integrantes possuíam pleno conhecimento da ilicitude e agiam com completo domínio funcional dos fatos criminosos que lhes foram conferidos. A maior milícia do Estado do Rio de Janeiro, quen vem fazendo alianças comoutras organizações criminosas já atuantes da Baixada Fluminense e na região de Jacarepaguá, expandindo sua área de atuação e formando um gigantesco e poderoso aparelhamento criminoso, cujo líder é Wellington da Silva Braga, o Ecko, irmão do falecido Carlos Alexandre da Silva Braga, o Carlinhos Três Pontes.

O grupo criminoso mantém o controle nas áreas supracitadas através de seus “soldados”, que de forma cruel e violenta controlam e obtém lucro sobre atividades de transporte alternativo de vans, pontos de 

mototaxi, comércio de gás, ligação clandestina de TV a cabo, conhecida como “gatonet”, aluguéis de

diversos imóveis obtidos ilegalmente, através de expulsão de moradores, além de agiotagem e cobrança de taxa de “proteção” dos diversos estabelecimentos comerciais que funcionam na área.

Léo do Rodo é suspeito de sendo responsável por uma série de crimes cometidos pelo bando na favela do Rola e demais locais controlados pela milícia, exercendo posição de liderança e comando no grupo criminoso.

Consta nos autos que o denunciado era traficante de drogas antes de migrar para milícia de Santa Cruz, comandada na ocasião por “Carlinhos Três Pontes”.

Ao lado de Zulu”, ele também comandava as ações delitivas da facção de traficantes conhecida como Comando Vermelho. Nas transcrições

supracitadas, o denunciado é citado em várias ocasiões, e tornou-se um dos líderes do grupo após a prisão de “Zulu”.

O denunciado possui anotações criminais por tráfico de drogas, porte de arma de fogo de uso restrito e homicídio, sendo que já foi preso sete vezes.

PQD também é acusado de integrar a quadrilha de Ecko tendo assumido a posição de liderança anteriormente ocupada

pelo denunciado Felipe Ferreira Carolino, o “Zulu”, após a sua prisão ocorrida no dia 20/05/2019.

O denunciado conversou com uma mulher, às 20h40 do dia 22/05/2019, e contou sobre uma reunião que

ocorreu com o chefe da milícia de Santa Cruz, oportunidade em que Ecko apresentou Francisco Anderson como sendo o substituto de “Zulu”.

Além disso, Ecko teria mencionado que Léo do Rodo  e outro criminoso identificado pelo vulgo de “Primavera”, também exerceriam posição de lideranças na maior milícia do Estado do Rio de Janeiro.

Constam várias anotações penais em desfavor de PQD, como a prisão em flagrante ocorrida no dia 12/08/2016, por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, reforçando, ainda mais, o seu vínculo associativo.

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