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Milícia de Vargem Grande desviava água de adutora da Cedae e cobrava taxas de R$ 50 a R$ 200 de moradores pelo consumo. Quem não pagasse era ameaçado de morte e até de estupro. Veja horror que casal passou

Os autos do IP nº 042-06417/2021 revela que um miliciano conhecido como Romarinho era o responsável pela distribuição de água canalizada na Comunidade Pombo Sem Asa em Vargem Grande, que é desviada de adutoras da CEDAE, sendo que todos os moradores pagam uma quantia de R$ 2.000,00 pela instalação e mais uma taxa mensal de consumo, que varia de acordo com o tamanho da residência. O suspeito está preso desde outubro e a Justiça manteve ontem sua prisão preventiva.

 A taxa seria entre R$ 50,00 a R$ 200,00, sendo cobrada, dentre outros indivíduos, por Romarinho e Dudu, a partir do dia 05 de cada mês. 

Caso o morador não consiga quitar o débito no dia 5, são cobrados juros com valores exorbitantes por dia de atraso. Nesta esteira, segundo uma das  vítimas, passados três dias do pagamento a ´Romarinho´, o fornecimento de água ao imóvel fora interrompido, sendo, esporadicamente, retomado. Disse que tal fato lhe causou indignação e, por isso, optou por suspender o pagamento das mensalidades e cavar um poço artesiano. 

Desde de junho, as vítimas vêm sendo extorquidas por ´Romarinho´ e seus comparsas, sendo que uma delas acumulou uma dívida com os meliantes que já ultrapassaria R$ 6.000,00. 

Com base nas informações coligidas nos autos conseguiu identificar ´Romarinho´ tendo sido o mesmo reconhecido por ambas as vítimas, por  Prosseguindo com a investigação, um dos policiais civis responsáveis pelo caso dirigiu-se até a Rua José Leite Lopes, em Vargem Grande, e simulou estar interessado em adquirir terreno à venda na mencionada localidade, para a construção de casa. 

Desta forma, conseguiu confirmar a veracidade quanto à exploração do serviço de fornecimento de água na região a partir de desvios clandestinos da adutora da CEDAE. 

Outrossim, realizada pesquisa no sistema policial, verificou-se que ´Romarinho´ ostenta anotações pela prática de crimes ambientais, dentre outros, destacando-se a anotação por associação criminosa em inquérito policial da Divisão de Homicídios.

 Cumpre salientar que, aos 07.10.2021, um casal foi na DP para comunicar sobre ameaças recebidas em seu aparelho celular, por meio do aplicativo WhatsApp. 

De acordo com o depoimento prestado pela mulher, esta reconheceu a fotografia do perfil do WhatsApp como sendo de ´Romarinho´, tendo demonstrado verdadeiro pânico, ante as graves ameaças sofridas (estupro e morte).
Uma semana depois, o casal voltou na unidade policial demonstrando fundado temor, diante dos fatos ocorridos no dia 11/10/2021. 

Na referida data, as vítimas relataram ter observado pelas câmeras de segurança que, por volta das 18h02min, ´Romarinho´ e um outro indivíduo ainda não identificado foram até a frente de sua residência. As vítimas acreditam que o Indiciado teria retornado ao local com o intuito de cumprir as ameaças, nada fazendo apenas porque o imóvel estava vazio naquele momento. 

Além disso, vizinhos comentaram que, aos 11.10.2021, ´Romarinho´ ainda se fazia acompanhar de mais outros dois indivíduos, que o aguardavam do lado de fora do condomínio, cada um em uma moto e de capacete. 

As vítimas ressaltaram o quanto temem por sua vida, já que ´Romarinho´ e ´seus comparsas´ são bastante temidos na região, motivo pelo qual os demais moradores – que também são extorquidos – preferem pagar os valores exigidos a denunciá-los à Polícia Civil. 

Diante das novas informações, uma equipe da Distrital, imediatamente, seguiu para a comunidade, visando a localização e a identificação do indivíduo conhecido como ´Dudu´ e de outros integrantes da ´quadrilha´. 
Apurou-se que ´Romarinho´ seria atualmente o chefe das Comunidades ´Pombo sem Asa´ e ´Vila Taboinha´, ambas situadas em Vargem Grande, tendo herdado a liderança após a prisão do major PM Ronald Alves Paulo Pereira, que se encontra custodiado em presídio federal. Mas não é só.

 Por volta das 17h00min do dia 14.10.2021, o casal retornou à Delegacia para comunicar que estavam sendo perseguidos por ´Romarinho´ e ´Dudu´, tendo conseguido se evadir às pressas, encaminhando-se, imediatamente, para a sede policial. 

Desta forma, novas diligências foram realizadas, oportunidade em que foi possível descobrir a localização das residências de ´Romarinho´ e de ´Dudu´, este último ainda não identificado, sendo apontado como o ´braço armado.

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