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Miliciano do grupo de Tandera preso hoje com cartas de Batman delatou Liga da Justiça e teve cabeça a prêmio por R$ 500 mil

Policiais civis da Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco) prenderam, nesta terça-feira (05/07) o ex-policial militar Willian Negão, um dos líderes da milícia de Seropédica comandada por Danilo Dias Lima, o “Tandera”. Ele foi capturado no bairro Boa Esperança, naquela cidade, e autuado em flagrante pelos crimes de constituição de milícia privada e posse ilegal de arma de fogo.

A ação aconteceu após levantamento de informações de inteligência e monitoramento. Na ocasião, os agentes foram verificar um local que seria utilizado como esconderijo do paramilitar “Tandera” e seus comparsas. Havia, ainda, a suspeita de que se tratava de um espaço de armazenamento de armas da organização criminosa.

No imóvel, o detido foi encontrado com a esposa e logo reconhecido pelos pelos agentes. Ele é ex-policial militar e foi preso pela Draco, em 2018, por integrar o mesmo bando. As investigações apontam que, atualmente, o homem lidera as ações da milícia na região de Seropédica.

Com o preso, foram apreendidas uma pistola calibre 9mm municiada, uma farda camuflada e aparelhos de telefone celular. No local, também foram encontradas correspondências que tinham como remetente um dos fundadores da milícia Liga da Justiça, conhecido como “Batman”.

Histórico

Quando foi preso em 2018, Negão ainda era integrante da Liga da Justiça e teve papel fundamental na condenação, , de oito membros (ele próprio foi) da quadrilha já que passou informações à polícia sobre o bando.


Por conta disso, em seu relato na Justiça, contou ter ouvido dizer que sua morte foi encomendada por R$ 500 mil. 
Segundo os autos, ele teria dado informações à polícia sobre a tal festa realizada no Sítio Três Irmãos, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, em que mais de 100 pessoas foram presas em 2018 e que quatro suspeitos foram mortos em confronto com a polícia.


Ele confessou que estava envolvido com o grupo de milicianos que atuava em Seropédica. Que o grupo era dominado por Carlinhos Três Pontes, morto em confronto com a polícia em 2017, e ele que teve que sair do município após a morte dele. Contou que tinha a função de guardar armas de fogo para o grupo miliciano e recebia R$ 500 por semana.   

Em seu depoimento, revelou que tentou fazer acordo com o Ministério Público depois que foi preso e recebeu ameaça no próprio presídio. Seus familiares foram ameaçados e tiveram que deixar o lar.


Disse acreditar que houve um vazamento sobre sua intenção de delatar e confidenciou que a organização criminosa da qual fazia parte realizava diversas atividades, tais como transporte alternativo, comercialização de botijões de gás, serviços de televisão a cabo clandestina, terraplanagem e loteamento de terrenos irregulares, serviços irregulares de cobrança, etc.


A quadrilha investigada atuou de 2015 até o ano passado, nos bairros de Santa Cruz, Paciência e Sepetiba, na Zona Oeste da capital, com ramificações às regiões de Nova Iguaçu e Seropédica.


A apuração começou a partir de uma operação que ocorreu na Favela do Aço, em Santa Cruz, que seria o quartel general da milícia; que durante a operação foi encontrado um homem amarrado no alto do morro; que a pessoa que mantinha a vítima logrou empreender fuga.


Nesta operação foram apreendidos cadernos e que em um desses cadernos havia números de telefones; que a partir deste caderno foram efetivadas interceptações telefônicas, que duraram aproximadamente um ano; que com base nas interceptações, dezenas de pessoas foram presas e diversos materiais apreendidos. 

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