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MP denuncia seis por espancamento de médica no caso da festa da Covid-19. Relembre detalhes como tudo aconteceu

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial da Área Méier e Tijuca do Núcleo Rio de Janeiro, denunciou, nesta sexta-feira (02/10), seis participantes das agressões contra a médica Ticyana Ferreira D’Azambuja Ramos no bairro do Grajaú, em 30 de maio – auge da pandemia de Covid-19. Estão denunciados Rafael Martins Presta, Rafael Henrique del Giudice Ferreira, Rodrigo Lima Pereira, Luis Claudio Balbino dos Santos, Luiz Eduardo dos Santos Salgueiro e Ester Mendes de Araujo – todos pelo crime de lesão corporal grave, que prevê até cinco anos de prisão.

Em 30/05/2020, por volta de 17h, na R.Marechal Jofre, Grajaú, nesta cidade, os acusados ofenderam a  vítima mediante asfixia mecânica (gravata), socos, chutes, tapas pisoteio, empurrões, puxões de cabelo, arremesso ao solo, causando-lhe escoriações no dorso da mão direita e dorso do pé esquerdo, equimose violácea localizada em face interna do pé esquerdo, fratura do platô tibial medial, fratura do fêmur distal, proximal da tíbia, rotura de fibras do ligamento colateral medial do joelho, extensa infiltração líquida na partes moles, hematoma em joelho, hipotrofia severa da coxa e perna esquerda, que resultaram na incapacidade para as suas ocupações habituais por mais de 30 dias:

De fato, depois de uma discussão, os denunciados Rafael Preta e Rafael Henrique (RH) saíram atrás da vítima, que solicitou ajuda a um motociclista, mas Presta lhe agarrou e a puxou pelas costas, desferindo um golpe do tipo “gravata” e, em seguida, a retirou de perto da motocicleta com a ajuda do denunciado RH.

Em seguida, os referidos denunciados arrastaram a vítima pela via pública e com a intenção de evitar qualquer intervenção exclamavam: “aqui é polícia, é polícia, deixa com a gente que está tranquilo”. Apesar disso, a vítima continuou gritando por ajuda, ocasião em que Presta apertou com força seu pescoço, fazendo com que perdesse os sentidos por alguns instantes.

Enquanto a vítima estava caída no chão, os referidos denunciados permaneceram ao seu lado, imobilizando-a, tendo Presta chutado e pressionado o pé contra o tórax da vítima para impedir qualquer reação.

Logo  depois, o denunciado Luiz Eduardo se aproximou, puxou a vítima pelos braços, tentou suspendê-la à força, a segurou pela axila esquerda e, assim,a arrastou pelo chão, além de contê-la, segurando pelos braços. Presta  então agarrou bruscamente a vítima, levantando-a do chão e colocando sobre seus ombros, sendo acompanhado por RH, Luiz Cláudio e Rodrigo.

No trajeto, enquanto voltavam à residência, os denunciados Luiz Cláudio e RH e agrediram a vítima com socos e tapas e o denunciado Rodrigo incentivava as agressões, gritando para agredi-la. Mais adiante, a denunciada ESTER, dando continuidade às agressões, desferiu tapas e puxou violentamente o cabelo da vítima, dizendo “Se você não tem medo de apanhar de homem, vai apanhar de mulher”.

Por fim, assim que se aproximou de sua residência, Presta jogou a vítima violentamente no chão, momento em que ela bateu com os joelhos e teve uma das mãos pisoteadas.

Cabe mencionar que após a vítima ser arremessada no solo, alguns populares se aproximaram, dentre eles, o casal de  vizinhos (Marco Antônio e Juliana), os quais tentaram apaziguar a situação e cessar as agressões.

Nesse contexto, RH desferiu um soco na face lateral de Marco Antônio, lesionando também a sua esposa Juliana. Na mesma oportunidade, a denunciada Ester ameaçou o casal, dizendo”Grava esse caralho e divulga a minha imagem para você ver o que vai acontecer”.

Todos os denunciados participavam de um evento comemorativo na residência de Presta em plena pandemia da Covid-19 e as agressões tiveram início depois de a vítima  ter reclamado da festa e danificado o veículo Mini Cooper COOPER, de propriedade de Luiz Eduardo.

.Na DP, Ester optou por permanecer em silêncio, ao passo que Presta e admitiram ter perseguido a vítima e a imobilizado. Por sua vez, os denunciados Luiz Eduardo, Luiz Cláudio e Rodrigo negaram ter lesionado a vítima, bem como ter presenciado qualquer agressão, o que foi desmentido pelas declarações colhidas em sede policial, pela análise das imagens das câmeras de segurança e pelo laudo elaborado pela CSI/DEDIT.


Segundo a vítima, quando já estava na viatura da PMERJ, Luiz Eduardo “mandou recado, através de uma vizinha, dizendo que queria R$ 6.800,00 para deixar isso para lá”, intimidando-a e um dos policiais que chegou ao local disse: “ah, meu Deus, a casa problemática de novo; que diziam que tinha “gente muito grande lá dentro da casa”, causando temor à vítima

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