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MP denunciou Lacoste (TCP) e comparsas por morte durante invasão ao Juramento (CV). Justiça rejeitou. Saiba os motivos

O MInistério Público Estadual do Rio denunciou Walace de Brito Trindade, o Lacoste, e dois comparsas pelo homicídio de um homem chamado Thomas durante uma invasão de traficantes do Complexo da Serrinha, em Madureira, ao Morro do Juramento. A Justiça, no entanto, rejeitou a acusação na semana passada.

Consta, ainda, que, no dia dos fatos, um morador do Juramento, ao chegar naquela comunidade (ocasião em se encontrava acompanhado de esposa e filhos), teria sido abordado por ´marginais´ que o obrigaram a socorrer a vítima, diante do que, com ela, se dirigiu ao Hospital Getúlio Vargas, onde Thomas teria dado entrada já morto 

Compulsando os autos, este juízo não logrou identificar suporte probatório mínimo quanto à autoria dos fatos, já que a prova até aqui coligida se mostra extremamente anêmica. 

A única testemunha a depor em sede policial, o irmão da vítima (fls. em nenhum momento, mencionou o nome de algum dos indiciados como sendo autor do delito, limitando-se a informar que seu irmão tinha envolvimento com o tráfico estabelecido na Comunidade do Juramento, local onde residia até ser morto após o confronto entre facções criminosas rivais que ali disputavam o controle do tráfico. 

Note-se que sequer restou afastada, por exemplo, a possibilidade de Thomas ter sido atingido por fogo amigo. Certo que também não foram juntados aos autos oitivas de testemunhas de visu, tampouco obtidas imagens de câmeras locais que pudessem melhor elucidar o caso, de modo que não há, até o momento, nenhum indício da autoria do homicídio investigado neste procedimento. 

Segundo a Justiça, para além disso, é de causar, no mínimo, estranheza o fato de, ao longo do inquérito, não ter sido colhido o depoimento do morador que socorreu Thomás acerca do que sabia dos fatos, uma vez que, justo ele, teria mantido contato direto com os ditos marginais, além de ter prestado socorro à vítima, a denotar a imprescindibilidade de sua perquirição. 

Portanto, resta inevitável o reconhecimento de que os autos contam com meras ilações, sobre as quais não se pode fundar uma acusação, mormente no tocante aos indicados aos quais o relatório de investigação  atribui a execução do homicídio em tela – baseando-se em procedimentos paralelos, já em curso perante àquela especializada antes mesmo da instauração do presente inquérito e que, portanto, nada têm a ver com os fatos aqui tratados -, pelo simples fato de serem considerados homens de confiança de Walace (vulgo ´Lacoste´), fazendo parte da ´Tropa do Salomão´, que, por sua vez, estaria diretamente envolvida na invasão à Comunidade do Juramento.

 Assim é que entendo como temerário o indiciamento dos investigados tendo por base a teoria do domínio final do fato, relata a Justiça.

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