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MP vai recorrer da decisão judicial que absolveu acusado de matar PM na Praça Seca em 2018. Justiça não explicou na sentença motivo que livrou suspeito

O Ministério Público Estadual vai recorrer da decisão do Tribunal do Júri que absolveu no último dia 17 Fabrício Ilton Muniz de Araújo, vulgo Lerdinho, do assassinato do policial militar Carlos Eduardo Gomes Cardoso, morto em um confronto em 2018 na comunidade do Bateau Mouche, na Praça Seca. 

A publicação da sentença no site do TJ-RJ não explicou o motivo que levou o júri popular a absolvê-lo. 

Alguns policiais ouvidos em oitiva reconheceram Fabrício como o autor dos disparos e disseram que o acusado teria confessado o crime, outros não foram capazes de realizar o reconhecimento.

Em depoimento na época, o PM G.U.B.R.B disse que policiais estavam no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho quando foram acionados, via 190, para resgatar uma equipe do 18º Batalhão na comunidade ´Bateau Mouche´.

Chegando ao local resgataram os agentes e retornaram para o interior da comunidade. Nas proximidades do largo avistaram o acusado e mais três elementos armados. Neste instante o grupo agressor lançou uma granada contra o blindado e corre, motivo pelo qual progrediram com o veículo, todavia ficaram retidos mais à frente pelas barricadas.

 Mesmo estagnados, os PMs continuaram a receber disparos contra o blindado; o sargento Cardoso e o cabo Costa Cardoso e o Cb Costa desembarcaram para promover um cerco. Neste instante a troca de tiros se intensificou e, da onde estava viu Cardoso caído e o acusado nas mesmas condições sendo socorrido por um comparsa armado.

 A testemunha que não conseguia chegar próximo ao policial ferido porque estava sob intensa troca de tiros. Em razão disso retornou ao blindado e solicitou apoio.

Passados cerca de vinte minutos conseguiram resgatar o militar ferido que, logo após veio a óbito, quando da entrada no hospital Lourenço Jorge.

Indagado pelo MP, o policial disse que o acusado portava um fuzil e que estava com mais três elementos. Conta que no primeiro momento em que lançaram granadas os policiais estavam dentro do blindado, entretanto, posteriormente arremessaram mais petrechos quando a guarnição desembarcou.

Disse que além dos três policiais citados desembarcaram também o cabo Araújo e o cabo Santana. Os disparos continuaram a curta distância. Viu no primeiro instante o acusado atirando e, logo após, ferido e sendo socorrido pelos comparsas.

Não conhecia o acusado antes dos fatos. Fez o reconhecimento do mesmo em um hospital de Jacarepaguá.

Indagado pela defesa, contou que estava entre dez a quinze metros, embarcado no blindado quando avistou o acusado pela primeira vez. De onde estava pôde ver a imagem de Fabrício porque estava no assento do comandante tendo, a sua frente, um vidro amplo.

Segundo ele, os insurgentes estavam no meio de um largo e, após, subiram para uma rua à esquerda. Viu claramente o acusado sendo socorrido. Disse ter reconhecido apenas este. Declarou que se outros estivessem no hospital também teria tido chance de reconhecer

 O PM A.C.C.S contou a mesma dinâmica relatada por seu colega de farda e acrescenta que o sargento Cardoso, por ser conhecedor do local, sugeriu como deveria ser feito o cerco.

Indagado pelo MP, disse que ficou cerca de dez a quinze metros quando avistou o acusado atirando com um fuzil. Indagado pela defesa, diz que viu o momento da troca de tiros onde Cardoso restou alvejado pelo acusado porque era o segundo homem na linha. Disse que ainda assim continuou trocando tiros com o mesmo. Nesse momento estava em um beco que desembocava em outro onde Fabrício se encontra em uma reta.

No hospital o acusado teria dito que eram três elementos, entretanto não saberia identificá-los. Na DH checou o álbum fotográfico, todavia não reconheceu os demais.

Falou que dois elementos arrastaram Fabrício para uma área de mata durante o confronto.

 O policial Militar M.P.A desembarcou do blindado na parte baixa da comunidade, enquanto os demais prosseguiram para a parte alta, após tirarem as barricadas. Indagado pelo MP, diz que não era do batalhão da área e somente foi em apoio. Não teve visão de quem efetuava os disparos. Soube posteriormente do agente baleado. Não estava embarcado no blindado quando ocorreram os disparos e o lançamento das granadas Indagado pela Defesa, diz que quem tirou a barricada foi um morador. Não subiu para o local do confronto e não viu o acusado.

Outros agentes foram os responsáveis pelo reconhecimento do acusado no hospital.

 O policial Militar C.M.F.O.D era o motorista do blindado. Alegou que os insurgentes locais efetuaram inúmeros disparos contra o veículo, lançando inclusive uma granada, que explodiu. Narrou idêntica versão dos demais ouvidos, retratando também os ferimentos de um policial do GAT, o qual acabou resgatado com o auxílio do veículo blindado.

 Indagado pelo MP, diz que o confronto se dava com integrantes do CV, facção criminosa local. Na hora viu inúmeros elementos atirando, enquanto outro arremessou a granada. Não teve como identificar os agressores porque foi obrigado a baixar a ´viseira´ do blindado para proteger-se e poder manobrar o veículo.

Soube pelos colegas que o acusado foi identificado no hospital. Indagado pela defesa, conta que do blindado desembarcou, primeiro, o sargento Cardoso e, logo a seguir, o cabo Costa, saindo a seguir o Tenente e o policial Santana.

Disse que conseguiu manobrar o blindado e colocá-lo há uns dez a quinze metros do corpo do policial ferido.

O policial Militar  J.CB.S contou como os demais colegas de farda, que estava na comunidade do Juramento quando foram chamados para auxiliar no resgate de uma guarnição do 18º BPM que estava encurralada na comunidade ´Bateau Mouche´.

Durante a ação permaneceu no interior do blindado porque estava difícil sair. Posteriormente ajudou a resgatar o corpo do colega ferido. Indagado pelo MP, confirmou que foram recebidos por granadas e disparos, mas não conseguiu visualizar os agressores, apenas ouviu os disparos. Prestaram socorro ao policial, levando-o ao hospital, mas não aquele onde o acusado se encontrava. Soube que os colegas reconheceram o acusado como autor dos disparos. Indagado pela defesa, confirma que não conseguiu visualizar os elementos.

O policial Militar R.S.E Santana contou idêntica dinâmica dos colegas de farda. Disse que estava embarcado no blindado de onde saiu, quando cessaram um pouco os disparos, para socorrer o policial ferido. Indagado pelo MP, diz que foi arremessada uma granada em direção ao caveirão, mas não viu o arremesso, somente ouviu o barulho em razão do ângulo em que estava.

Contou que não teve visão de quem atirava, pois, o beco terminava em uma mata. Confirmou que o Tenente desceu do caveirão e que foi ele quem informou do colega ferido. Disse que trocaram tiros com os traficantes. Indagado pela defesa, disse que não visualizou o acusado no local e soube que o acusado assumiu o fato para os demais colegas que estiveram com ele.

O policial Militar L.A.W contou que estava dentro do blindado e soube do colega ferido pelo tenente. Indagado pelo MP, conta que o blindado sofreu diversos disparos de arma de fogo. Foi, também, lançada uma granada em sua direção. Disse que somente desembarcou no momento de resgatar o colega ferido. Desconheceu o que o acusado disse para os seus colegas de farda no hospital, pois ficou do lado de fora aguardando na viatura.

Indagado pela defesa, disse que desceu do blindado: Sgt Cardoso, Cb Costa, Ten. Baldessarini e Cb Santana. Nega ter visto os autores dos disparos.

O policial Militar A.S.O contou a mesma versão dos demais. Estava, no momento do ocorrido, cuidando da retaguarda no interior do blindado. Recebeu a missão de resgatar o policial ferido. Atestou que os disparos continuavam.

Indagado pelo MP, diz que não teve visão dos traficantes que atiravam de fuzil contra o blindado. Destacou que outros policiais confrontaram os agressores para que pudessem resgatar o corpo do policial ferido.

Antes do julgamento, a Justiça argumentou ter reunido indícios mínimos suficientes de autoria e pronunciou o acusado para ir a júri popular. Foi acusado de  umm homicídio triplamente qualificado consumado. Nove crimes de homicídio triplamente qualificados, praticados na forma tentada e; C. Associação para fins de tráfico

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