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Oito milicianos que eram subordinados ao falecido Ecko pegaram 12 anos de prisão. Quadrilha agenciava garotas de programa, dava golpes em cartões de crédito e fazia escolta bancária das lojas. Militar emprestou arma para o grupo

Oito milicianos que eram subordinados ao já falecido Wellington da Silva Braga, o Ecko, foram condenados em junho a 12 anos de prisão em um processo que foi aberto em 2018.


Eles atuavam desde 2016 até esse ano nos bairros de Santa Cruz, Campo Grande, Cosmos, Paciência e Sepetiba, com ramificações às regiões de Itaguaí, Nova Iguaçu e Seropédica, utilizando modus operandi de grupo criminoso conhecido por milícia, mediante a prática de infrações penais tais como posse e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e restrito, extorsão, entre outros.

Foram condenados os milicianos de vulgos 06, Bebezão, Taz, André Luiz, Chang Lee, Magrinho, Gugu e Velho.

Os paramilitares atuavam no comércio de cigarros, gás, água, serviço de transporte coletivo clandestino, sinal de TV a cabo e internet clandestina, de segurança privada, de ´arrego¿ do comércio local, de escolta bancária, de extração e comercialização de areia e saibro de forma ilegal, grilagem de terras, loteamento e venda de terrenos obtidos de forma ilícita, tráfico de drogas e lavagem dos lucros auferidos com práticas delituosas em negócios de fachada.

Os comerciantes pagavam aos milicianos por uma falsa proteção e, quando se recusavam a pagar, eram perseguidos e, dependendo da situação, expulsos dos locais em que trabalhavam, agredidos e, até mesmo sumariamente executados, resultados que dependiam do grau de descontentamento por parte dos mesmos.

Os criminosos até mesmo tentavam ganhar dinheiro agenciando garotas de programa. Um miliciano, por exemplo, usava um motel para alugar quartos para que as prostitutas recebessem seus clientes.


A escolta bancária era feita até para lojas de grandes franquias, com as empresas se utilizando do serviço como se a milícia fosse o braço armado do Estado para promover a segurança pública

Outro esquema era usar uma máquina que gravava senhas de cartões de crédito das pessoas. Eles iam ao banco, desbloqueavam o cartão e podiam usá-los.

Um PM foi flagrado em uma escuta conversando com um miliciano em que recebe um pedido para informar sobre operação Choque de Ordem da Prefeitura, em Campo Grande e o agente prometeu avisar.

PM – Fala irmão…
Miliciano: fala meu amor
PM- o que manda?
Miliciano: tá em Campo Grande?
PM – tô na rodoviária.
Miliciano: Tem algum choque de ordem aí hoje, pra eu poder avisar as lojas aqui?
PM: tô sabendo não. Cheguei no quartel hoje de costas, fui resolver umas. Se eu souber de alguma coisa te dou um catuque.
Miliciano: Ah, beleza!
PM: é que eles não chamam mais a gente não.


Até um militar foi pego na investigação. Ele era envolvido com o tráfico e foi pego em uma escuta dizendo que ia emprestar algo do quartel para um menor, além de ter sido flagrada uma conversa dele com outra pessoa em que ele pede para matar um com um som de tiroteio exaltando a frieza para agressão/execução de inimigos. Segundo a investigação, há vários militares que cedem/alugam armas para que traficantes e outros transgressores da lei empreendam suas ações criminosas.

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