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Os vários planos do delegado Maurício Demétrio para executar Rogério Andrade: crime na Espanha, dentro de shopping com atiradores vestindo fardas da PM e veneno na comida na cadeia. Crime chegou a ser cogitado em R$ 3 milhões

Segundo a denúncia do Ministério Público Estadual, o ex-chefe da Polícia Civil Allan Turnowski, preso hoje, obtinha informações junto a parceiros do contraventor Rogério de Andrade como Jorge Luiz Fernandes (Jorginho) e Ronnie Lessa e as repassava para o rival de Andrade, Fernando Iggnácio por meio do delegado Maurício Demétrio. Com base nos dados obtidos, o bando de Iggnácio deliberava estratégias para enfraquecer o grupo inimigo.

Jorginho chegou a pedir ajuda a Turnowski por conta de suas desavenças com Andrade num contexto de exploração do ´Jogo do Bicho. Ele teria arrendado uma área do bicheiro, que queria de volta.
Jorginho estava com medo de ser morto por Rogério ´, e que poderia ser a próxima vítima de homicídio.

A partir disso, Maurício Demétrio recebeu ordem de Turnowski para alertar Iggnácio (que era chamado de Urubu) de que Jorginho estava com pressentimento em atacá-lo.


Demétrio, então, sugeriu o planejamento da morte de Rogério Andrade e tentou convencer Iggnácio da sua intenção, como também o próprio Turnowski a executar o plano.

Turnowski, chamado de Amigo de Israel, teria que convencer Jorginho a se aliar a Iggnácio.

Chegaram a tramar que o homicídio de Rogério ocorresse antes de dezembro, data estabelecida para que a área que estava sendo explorada (arrendada) por ´Jorginho´

Demétrio chegou a estipular o valor de R$ 3 milhões a ser pago por Jorginho pela execução de Andrade, que seria dividido em partes iguais por ele, Turnowski e Marcelo Araújo.

Mas houve um impasse porque Turnowski achava Jorginho ´instável´ e, assim, poderia repassar para Rogério de Andrade a informação de que havia plano para executá-lo.

Cinco meses se passaram e o plano foi retomado. Na época, Rogério estaria viajando para a Europa e Demétrio cogitou promover a sua execução na Espanha.


Dias depois, em novas escutas, foi um novo projeto de execução de Andrade. Dessa vez no interior de shopping center, com os atiradores vestidos com farda da Polícia Militar.


Em junho de 2018, novos áudios indicaram que Maurício Demétrio arquitetou novo plano para matar Rogério. Neste período, o contraventor estava preso e os diálogos sugerem a existência de um plano para colocar veneno na comida que o este recebia no ´hotel´(segundo o MP, referência à cadeia).

Maurício Demétrio valendo das relações políticas e funcionais que ostentava, noticiou uma suposta iniciativa na ALERJ para instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI sobre o ´jogo do bicho´, oportunidade em que sugeriu interceder para beneficiar o ´Urubu (Iggnácio) bem como atacar Andrade

Demétrio também ofereceu propina ao delegado Antônio Ricardo Lima Nunes, quando este era titular da 11ª DP (Rocinha) para que este tentasse conseguir a transferência do traficante Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, desafeto de Iggnácio, para penitenciária federal. O acordo foi fechado em R$ 150 mil.

Antônio Ricardo, por sua vez, daria R$ 30 mil para policial ainda não identificado, então lotado na Coordenadoria de Informações e Inteligência Policiais (CINPOL) da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), para que este elaborasse relatório indicando a necessidade de transferência do bandido para unidade penitenciária federal.

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