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PCC teria estratégia para entrar e dominar presídios do Rio

O documento Democracia e Crime Organizado publicado pela Fundação Heinrich Boll revela que o Primeiro Comando da Capital (PCC) adotou uma estratégia para entrar e dominar presídios do Estado do Rio de Janeiro.


Um dos objetivos deles é entrar em unidades prisionais sem facção do tráfico para tentar dominá-los. Mandaram homens para o Rio que são especialistas em batismo. É gente que tem experiência em rebelião, em motim, sabe exatamente o que fazer.


No final de 2018, muitas pessoas, especialmente mulheres, estariam na capital carioca comercializando drogas para serem presas e fazer “batismo” no sistema prisional. Vale ressaltar que as unidades femininas não têm separação por facção, o que em tese, segundo especialistas ouvidos para o documento,  poderia ser um caminho para o PCC conseguir entrar no sistema prisional.


Houve um episódio, em novembro de 2018, no Bangu 4, que hoje abriga presos do Terceiro Comando Puro. Foi noticiado como rebelião. Na verdade, partiu de mais ou menos 60 presos, alguns do PCC, numa área de seguro que estavam sendo ameaçados de morte constantemente pelos homens do TCP.

Estavam pedindo transferência, quando viram que não iam mais conseguir, na primeira oportunidade agarraram um guarda, uma enfermeira e um outro preso que era um faxina. No motim  eles estavam num seguro com 60 homens, mas desses só cinco ou seis eram mesmo PCC, o resto falou que era para sair dali.

Com o motim, eles conseguiram transferência primeiro para o Presídio Tiago Teles de Castro Domingues, em São Gonçalo, que é uma unidade neutra. Depois, foram para Bangu I, que é segurança máxima. Esses cinco ou seis são ex-tremamente inteligentes e articulados. São caras perigosos e que vão ter êxito se derem tempo para eles, acreditam os especialistas.

Como o PCC saiu do Rio

O documento traz detalhes de como se deu a saída do PCC do Rio de Janeiro e as alianças que a facção paulista firmou com a Amigos dos Amigos (ADA) e o Terceiro Comando Puro (TCP)

Quando o Comando Vermelho (CV) rompeu com o PCC em meados desta década, em todos os presídios do Rio considerados do CV, havia presos do PCC.

Começaram as transferências. Os presos do PCC teriam ficado sem direito à visita. Muitos detentos facção acabaram indo para unidade neutra ou para Bangu 4 junto com a ADA.

Neste meio tempo, aconteceu uma outra briga entre Celsinho da Vila Vintém e o Gordo (Cristiano Rocha Clemente), ambos da ADA, por causa do Arafat, de Costa Barros.


A disputa na Rocinha, em setembro de 2017, deflagrou o desmantelamento da ADA. Mesmo preso em Bangu 1, Carlos José da Silva Fernandes, o Arafat, que chefiava à distância o Complexo da Pedreira, no bairro Costa Barros, mudou para o Terceiro Comando Puro, enfraquecendo ainda mais a facção.
A briga entre Celsinho da Vila Vintém e Gordo causou uma ruptura na ADA.Celsinho deu um prazo para quem estivesse com ele seria ADA e quem não estivesse seria do grupo dos ‘traíra’. Quem não estava com ele veio e aí ficou PCC e ADA no Bangu 4.

A partir daí, começaram as negociações para o apoio do PCC para a tomada da Rocinha. Teve uma conversa das lideranças, do Celsinho, Arafat, que decidiram quem voltava ou não para a ADA. Desse jeito, juntaram a ADA toda de novo. Os que não voltaram foram para unidades neutras.

Após isso, começou a conversa do PCC com o Terceiro Comando Puro e a proposta de união das duas facções, que seria o TCA. Não durou muito, nem dois meses.

Após a tentativa frustrada, integrantes do PCC foram novamente transferidos para uma unidade neutra. Até que, no final de novembro de 2017, a Coordenação de Acompanhamento de Execução Penal da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (SEAP) trocou 67 presos do PCC que estavam em prisões de São Paulo73.
Ficaram poucos presos do PCC no sistema prisional carioca. Atualmente a facção está sem parceria com ninguém no Rio. Estão tentando se articular.

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