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Permanecem presos PMs que sequestraram morador da Maré e ameaçaram lhe ‘vender’ para facção rival

A Justiça decidiu no final do ano passado manter presos dois PMs condenados a dez anos de prisão por tentar vender um morador do Complexo da Maré a bandidos de uma facção criminosa rival a da comunidade que ele morava.

O caso ocorreu em 2017. Em dezembro de 2018, os agentes Márcio Eduardo Dias Carvalho e Rogério Cunha Otaviano foram condenados mas recorreram para ser soltos. A Justiça, no entanto, decidiu pela manutenção da prisão.

No dia 10 de julho daquele ano, na Avenida Brasil, próximo da Linha Amarela, os dois PMs sequestraram e tentaram extorquir dois rapazes.

Eles abordaram o veículo Fiesta Sedan, marca Ford em que estavam as vítimas. Ao ser indagado, um dos homens informou que morava na Maré e que já havia sido preso em Bangu, momento em que os agentes começaram a aterrorizá-lo dizendo que ele ´valia um dinheiro´, que poderiam matá-lo ou entregá-lo a uma facção rival.

Após a ameaças, os PMs negociaram com a vítima o valor de R$ 6.000 para liberá-lo e retiveram a documentação do veículo.

Logo depois, os militares colocaram o rapaz na viatura e foram até a altura da Fiocruz determinando que o outro homem lhes seguissem.

Nesse percurso, a vítima que foi extorquida fez contato telefônico com seus familiares pedindo que conseguissem a quantia exigida.

Durante cerca de quatro horas (entre 22h e 2h), as vítimas ficaram em poder dos PMs

Após o rapaz, conseguir parte da quantia, foi marcado encontro com seus familiares no posto de gasolina Shell, próximo a 21ª D.P. para que pudessem entregá-la aos policiais.

No local, policiais militares da 1ª DPJM (Delegacia de Polícia Judiciária Militar), que foram acionados por familiares da vítima prenderam em flagrante um dos agentes envolvidos e providenciou a prisão do outro.

“Eu falei que morava na Maré… e um deles tava falando que queria me vender para outras favelas…. outras facção rival.. conforme que lá na maré é uma facção, né? Aí tavam querendo me vender para outra facção. Aí me pediram dinheiro”, disse a vítima em Juízo.

Além de ameaçar ´vender´ o rapaz para facções rivais, de outras favelas, os acusados ainda a ameaçavam de morte, caso a quantia em dinheiro por eles estabelecida não lhes fosse dada.

Os PMs condenados falaram que nada de ilícito foi encontrado na posse dos rapazes, mas que sentiram forte odor de maconha dentro do veículo em que eles estavam. Neste momento, os jovens assumiram que faziam uso da substância ilícita, mas que teriam jogado fora o cigarro ao avistar a blitz policial.

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