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PM reformado condenado por extorquir traficante em R$ 500 mil é investigado por lavagem de dinheiro. Relembre o caso

Um inquérito está apurando a suposta lavagem de dinheiro por parte de um policial militar reformado que, há quatro anos, foi condenado acusado de participar de um suposto sequestro e extorsão contra um traficante no valor de R$ 500 mil.

O procedimento está sendo feito pelo Núcleo de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro(NUCC-LD) e foi aberto em 2018, gerando número de processo que tramita na 34ª Vara  Criminal. 

O policial investigado é Aleksander Vieira Machado. Está sendo apurado supostos valores depositados em sua conta corrente.

No dia 27 de julho de 2015, após receber informação da área de inteligência da Secretaria de Segurança Pública, o delegado de polícia Augusto Motta Bush, lotado na SESEG, compareceu nas imediações da 5ª DP e 9ª DP (que atualmente funcionava em um prédio anexo àquela) visando apurar a notícia de um sequestro e extorsão do traficante André Damião de Andrade, vulgo ´Velho´ ou ´Coroa´, oriundo do Morro do Faz Quem Quer, em Rocha Miranda, que estaria sendo realizado por policiais em uma delegacia na Lapa. 


Na entrada na 5ª DP o  delegado procurou a existência de indícios de anormalidade, enquanto uma equipe da SSINTE (Subsecretaria de Inteligência) pesquisava os RO¿s em andamento naquelas unidades, assim como manteve contato com outras duas autoridades policiais.


O delegado teve a atenção despertada para uma movimentação anormal para o horário, quase 21 horas, na 9ª DP, sendo informado pela SSINTE acerca de um registro de ocorrência ainda em andamento na referida unidade, com uma dinâmica anormal, tendo como envolvido justamente André Damião, vulgo ´Velho´. 


Os três delegados de polícia puderam observar quando uma viatura da 9ª DP com três ocupantes estacionou na entrada da citada delegacia, permanecendo parada por alguns minutos, após o que, desembarcaram os policiais suspeitos (Alexsander mais um PM e um policial civil) que quais ingressaram na delegacia. 


Pouco tempo depois um outro policial civil saiu do interior da delegacia e foi até a viatura que estava estacionada, onde pegou uma mochila que aparentava estar pesada, regressando imediatamente à referida unidade de polícia judiciária. 


Diante de tal quadro, a Corregedoria Interna da Polícia Civil foi acionada, ocasião em que foi determinada uma verificação extraordinária. 
No momento em que as autoridades policiais chegavam na 9ª DP, três dos policiais suspeitos saíram da unidade na companhia de André Damião, justamente aquele que a informação da SSINTE apontava estar sendo vítima de concussão, sendo, então, todos abordados. 


Ao perceber a abordagem, um dos agentes acusados ingressou na 5ª DP e, de forma dissimulada, tentou se desfazer de um telefone celular da marca Blackberry, cor branca, jogando-o na lixeira.


 Inicialmente, o suspeito afirmou que não era policial e só estava na delegacia para pegar um registro de ocorrência, mas depois exibiu sua carteira de policial militar.


 Assim, os três delegados juntamente com os inspetores da COINPOL deram início à verificação extraordinária com a averiguação dos pertences dos policiais presentes na delegacia, sendo certo que no segundo andar foram localizados dois dos denunciados.


Ao analisar os pertences de um dos policiais envolvidos,  os agentes arrecadaram um maço de cédulas de real (cerca de R$2.000,00) e um rádio comunicador. Em poder de outro suspeito, foi encontrado a quantia de R$3.000,00. Na posse de mais um,  foram encontrados dois maços de cédulas de real (cerca de R$1.840,00), bem como na posse de Aleksander outro maço de cédulas de real (R$1.000,00) e com mais um policial suspeitoo, mais precisamente dentro de sua bolsa, seis ´sacolés´ de maconha.


 Na oportunidade, um dos policiais suspeitos afirmou ter confeccionado o registro de ocorrência em desfavor de André Damião, em razão da apreensão de 20 ´sacolés´ de erva seca na comunidade Santo Amaro. 
Indagado a respeito do material, o denunciado mostrou o armário em que estava guardada quantidade e variedade de drogas superior àquela descrita no apontado RO, assim como material de anotação do tráfico e um telefone celular, não sabendo ele indicar qual era o entorpecente a que se relacionava com a ocorrência. 


Por sua vez, André Damião, vulgo ´Coroa´, admitiu seu envolvimento com o tráfico de drogas do morro do Faz Quem Quer e confirmou que estava sendo extorquido pelos policiais, ora denunciados, que estariam pedindo um alto valor em dinheiro para liberá-lo e que havia sido preso em sua casa na Vila Kennedy e não na comunidade Santo Amaro, como afirmaram os denunciados. 


Ele reconheceu quatro dos denunciados como aqueles que o abordaram em sua residência, ocasião em que disseram: ´Tá vendo ficou devendo os trinta mil reais, agora vou empurrar toda droga apreendida naquele dia em você´. Disse que um dos agentes suspeitos quem colocou a mão em seu peito e disse: ´perdeu, perdeu na moral, o negócio é o papo´. 


Em seguidas os suspeitos conduziram o traficante em um carro de cor preta até a 9ª DP, onde um dos policiais disse que se não pagasse os vinte mil que devia ele iria ´botar pra frente o registro de ocorrência. Um dos agentes estava desenrolando com o chefe do tráfico na Faz Quem Quer a obtenção do dinheiro, através do aplicativo de mensagens de seu telefone celular. 


André Damião informou que já havia sido extorquido pela mesma equipe de policiais duas semanas antes, ocasião em que exigiram vantagem indevida consistente no pagamento da quantia inicial de R$500.000,00, a qual foi reduzida posteriormente para R$100.000,00, para que não efetuassem a prisão em flagrante da nacional de prenome Joyce, liberando o material de contabilidade do tráfico que havia sido apreendido no Morro do Faz Quem Quer. 


´Coroa´ confirmou também que foi efetuado o pagamento de R$70.000,00 aos policiais, mas ficou devendo o valor de R$30.000,00 que deveria ser pago no dia 24 de julho, o que não ocorreu e por isso foi levado para a delegacia. 


André Damião reconheceu como seu o celular que um dos denunciados tentou se desfazer, bem como o desbloqueou, permitindo que os delegados  tivessem acesso às mensagens trocadas pelos policiais com o traficante TH, então responsável pelo tráfico de drogas no Morro do Faz Quem Quer, onde estava sendo negociado sua ´soltura´. 


Em busca realizada na viatura da 9ª DP ainda foram localizados quatro extratos bancários em nome do denunciado Aleksander, no valor total de R$ 10.000,00, todos do dia 27 de julho, praticamente no mesmo horário. 


Foram condenados no caso em 2016, além de Aleksander, Fábio Bernanrdo dos Santos Reis, Olavo Cerqueira Escovedo, Róbson Pierre Abreu de Souza, Luiz André de Oliveira França e Antõnio Cláudio Cardoso Rayol a penas que variavam entre três a sete anos de prisão em regime semiaberto.  

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