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Policiais civis corruptos deixaram de prender recolhedor de ‘arrego’ do tráfico para PMs. Em troca de propina, também não levaram para a cadeia suspeito de integrar quadrilha de roubo de cargas que estava armado com pistola

No dia 19 de junho de 2017, os policiais civis alvos da operação de ontem se drigiram a um endereço em São João de Meriti próximo ao Shopping Grande Rio, onde havia notícia de que um homem de nome “Rafael” estaria vendendo dois veículos clonados, um Ford Ecosport branco e um Ford Fiesta cinza. 


Chegando ao local, os policiais lograram identificar e abordar o suspeito que estaria próximo aos veículos citados na posse das respectivas chaves

Em sede policial, foi constatado que ambos os veículos possuíam registro de roubo e estavam com as placas trocadas, pelo que foi lavrado o auto de prisão em flagrante em questão e apreendidos os veículos.

Após a lavratura do registro, o colaborador foi procurado pelos policiais para prestar auxílio na identificação da numeração dos motores dos veículos apreendidos, sendo certo que na mesma ocorrência policial teria sido apreendido um revólver calibre 357.

O X9 tirou fotografias dos carros estacionados e, segundo informações de dele, um dos conduzidos da ocorrência seria um policial militar, que não figurou no registro de ocorrência, mas que seria uma ponte entre policiais militares do serviço reservado da Polícia Militar (P2) do 21o BPM, que teriam intervindo em troca de informações para um futuro “bote”.

Ainda segundo Fabricio, o elemento que estaria na posse da arma de fogo não apreendida seria o recolhedor de propina em favor dos policiais militares, arrego paga pelo tráfico de drogas local.

Assim, os conduzidos teriam sido liberados sem que a arma de fogo fosse apreendida (de fato o RO é apenas do crime de receptação).

Em 2017, policiais civis prenderam o responsável por uma oficina de desmanche de veículos em São João de Meriti.

Logo depois disso, os agentes entraram em contato com um X9, de vulgo Lango, querendo realizar um desmanche de veículo.


Segundo “Lango”, quem foi autuado foi o responsáveis pela oficina mecânica que estava no local no momento da abordagem, não tendo sido identificado o real proprietário e, por isso, só teriam obtido uma “merrequinha”, que seria dinheiro oriundo de propina paga por terceiros interessados em comprar peças de veículos roubadas, além de proprietários de veículos que estavam no interior da oficina no momento da operação policial.

“O cara fudido (se referindo ao preso). Os cabeças mesmo não apareceram não. Entendeu? Veio até uma merrequinha, mas do pessoal que tava lá, que tinha carro lá mexendo em outras coisas,aí…pessoal que tinha carro pra fazer, veio, veio perdendo uma pratinha, mas pouca coisa, pouca coisa. Foi dura mesmo!””, revela diálogo entre os dois X9 dos policiais civis.


Se não bastassem as informações até então obtidas, um dos policiais fez contato direto com o colaborador
Whatsapp no dia dos fatos (14 de junho de 2017) pedindo orientação sobre a localização da numeração do chassi de um Kadett, lhe enviando um link com a matéria sobre a diligência (foi apreendido na suposta oficina um Kadett azul, ano 1990, placa LIL2735 que ostentava a placa LJL5417).

No dia 29 de junho de 2017, os mesmos policiais civis prenderam em flagrante um homem pelo um crime de receptação de veículo,

No dia seguinte, o colaborador Fabricio foi chamado na delegacia para ajudar os denunciados a identificar a numeração de motor do veículo apreendido, um Hyundai IX35, ano 2010, cor preta, placa LPU1660 (LPS8784), que seria um veículo clonado.

Na ocasião, a conversa travada entre eles foi gravada pelo colaborador, tendo os agentes públicos lhe confidenciado que o condutor do veículo estaria armado no momento do flagrante com uma pistola Imbel, calibre 765, não registrada e duas munições de fuzil e seria suspeito de integrar quadrilha de roubo de cargas.


Segundo o colaborador, o pai do preso em flagrante, pagou uma quantia em dinheiro, exigida pelos policiais, para que seu filho não fosse preso em flagrante, não tendo sido apreendida formalmente a arma de fogo arrecadada, permitindo a soltura do indivíduo mediante pagamento de fiança de R$ 937,00, autuando-o apenas na receptação.

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