Casos de PolíciaComando Vermelhoinvestigaçãotráfico de drogas e armas

Rainha do Trem Bala e outros nove traficantes de São Gonçalo foram condenados. Bando tinha conexão com favelas do Rio. Veja detalhes da investigação


Depois de quatro anos de processo, a Justiça condenou este mês dez traficantes que  formavam uma complexa associação criminosa tendo como objetivo delituoso primordial a comercialização de entorpecentes em ´bocas de fumo´ espalhadas pelas comunidades dos municípios de São Gonçalo, Niterói e Rio de Janeiro. 

Entre as áreas que o bando atuava estavam o Complexo do Salgueiro, o Morro do Preventório e a Favela do Jacarezinho.

Uma das condenadas é a traficante conhecida como Rainha do Trem Bala presa recentemente por duas vezes. Outros foram Tilu, Natanael, Bruno Garios, Negão, Gabi ou Bibi, Léo, Júnior ou Gaguinho, Marcus Vinicius e CL. As penas variam entre três a cinco anos mas alguns ganharam direito de cumprir apenas medidas cautelares diferentes da restrição de liberdade.

Como começou a investigação

A investigação teve início a partir de uma incursão de policiais da DCOD ocorrida no dia 12/03/2018. Os agentes se dirigiram ao bairro Jardim Miriambi a fim de checar informações de inteligência acerca do tráfico de drogas, e, chegando ao local, indivíduos fugiram da ´boca de fumo´ a fim de evitar a prisão em flagrante, deixando, contudo, uma mochila abandonada no chão.

No interior dela encontraram drogas, um radiotransmissor, uma balança de precisão e um telefone celular da marca Motorola, que estava desbloqueado, sem senha para acesso ao seu conteúdo. O referido celular foi encaminhado ao setor de busca eletrônica da DCOD, onde foi elaborado um extrato de inteligência identificando diversos contatos nas agentes e em aplicativos de mensagens, concluindo-se que pertencia a grandes traficantes que atuam no Complexo do Salgueiro. 

Após deferimento de permissão judicial e análise dos dados contidos no aparelho de telefone celular, os policiais selecionaram alguns números que teriam maior relevância para a investigação e solicitaram a interceptação das comunicações desses números alvos. 

Quem é quem

Rainha do Trem Bala era a ´frente´ do ´pó de 10´ da boca de fumo na região do Apolo III, comunidade da Reta Velha, no Morro da Viúva.

Tinha poder de mando na associação criminosa, estabelecendo diretrizes, fazendo intermediação de taxas para a circulação de veículos de gás no Complexo do Salgueiro, além de ter envolvimento em roubos de carga roubada, com o intuito de distribuir no comércio de rua da cidade de São Gonçalo, além de ter influência na compra e venda de munições.

Ela conseguiu arrendar uma boca de fumo por R$ 1.000 por semana e que o dono mandava armas como quatro pistolas, uma Uzi e um fuzil.

Tilu tinha posição de destaque no Salgueiro, sendo responsável pelos valores arrecadados com o comércio de entorpecentes, sendo, inclusive, em uma das chamadas interceptadas de ´chefe´ e ´chefão´

Natanael era taxista porém realizava roubos nos municípios de Niterói e São Gonçalo. Inclusive, foram encontrados diálogos em que ele negociava com traficantes do Complexo do Salgueiro carros, celulares, KIT GNV, rodas, rádios e acessórios produtos dos roubos praticados por ele.

Bruno exercia a função de endolador, ou seja, preparando as embalagens os entorpecentes para a venda.

Negão exercia a função de gerente das ´bocas de fumo´ e repassando ordens a outros traficantes, exigindo e recebendo prestação de conta sobre as drogas vendidas, das munições utilizadas e da movimentação na comunidade do bairro Almerinda, vinculada ao Comando Vermelho e ao Salgueiro.

Nas interceptações, o acusado entrou em contato com seu interlocutor para saber como estão as vendas das drogas. Em resposta, o interlocutor, como verdadeiro subordinado, relatou que o comércio vai bem e que o ´produto´ mais comercializado é o ´pó de 25´ e o ´de 5´, ou seja, as embalagens de cocaína vendidas nos valores de R$25,00 e R$5,00.

Em outro diálogo, o interlocutor denominado ´Du informou a ele que pegou a ´da grande´, provavelmente um fuzil, e que só não testou a arma antes de pagar por ela, como o chefe havia determinado, porque não possuía munição.


Bibi era a gestora na associação criminosa, administrando o fornecimento de cestas básicas, que funciona como auxílio para as mulheres de traficantes presos em serviço, possibilitando para elas comprar alimentos, além de visitá-los. Ela é esposa de Negão que determinou que ela fosse ao presídio visitá-lo todo dia 20 e enregar a quantia de R$ 100

Léo se envolveu em uma confusão com outros traficantes por conta do sumiço de uma espingarda calibre.12,

Júnior ou Gaguinho distribuía material entorpecente no Salgueiro, além de informar a movimentação da polícia aos demais membros da organização criminosa.

Marcus Vinicius era o ´gerente´ no tráfico de drogas do Complexo do Salgueiro, sendo importante elo da organização criminosa, uma vez que administrava as cargas de drogas, distribuindo-as e fazendo o recolhimento das vendas.

Por último, CL era responsável pela venda de entorpecentes, sendo o ´gerente´ da substância conhecida como ´lança perfume´ na Comunidade do Salgueiro e andava armado com uma pistola calibre .40, da marca Glock

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