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Suspeito de matar o filho do bicheiro Maninho vai a júri popular nesta terça-feira (1/12). Relembre detalhes do crime

Está previsto para ser realizado na próxima terça-feira (1/12) o julgamento de José Fabiano Bruno Santiago, pronunciado pelo assassinato do filho do bicheiro Maninho, Myro Garcia.

Segundo os autos, no dia 12 de abril de 2017, por volta de 12h30min, no estacionamento do Condomínio Empresarial O2 Corporate & Offices, situado à Rua Paisagista José da Silva de Azevedo, nº 200, Barra da Tijuca, José Fabiano supostamente sequestrou Myro, com o fim de obter vantagem pecuniária como condição de resgate, sendo certo que o fato por eles praticado resultou na morte da vítima. 

Momentos após a prática destes crimes teria sequestrado também o amigo de Myro, Paulo Arthur, privando-a de sua liberdade de locomoção e iniciaram a execução do crime de homicídio contra esta, que só não se consumou por circunstâncias alheias à vontade dos agentes. 

No dia dos fatos, os denunciados chegaram ao local, no interior de um veículo GM Cobalt placa LLW-8250 ‘clonado’ e aguardaram a vítima Myro sair do interior da academia de ginástica Bodytech. 

Quando Myro se aproximou do seu veículo, um Toyota Corolla, cor preta, placa LSS-360, os suspeitos o abordaram e, mediante emprego de arma de fogo, subtraíram dele o seu veículo. 

Consumada a subtração os denunciados obrigaram Myro a entrar no carro, ocasião em que o sequestraram e o mantiveram privado de sua liberdade, momento em que passaram a extorqui-lo exigindo a importância de R$ 100.000,00 como preço para sua libertação. 

Posteriormente, os suspeitos saíram do local com a vítima sequestrada em seu próprio automóvel. Um terceiro acusad dava cobertura aos denunciados, seguindo o veículo em que a vítima e os denunciados estavam mantendo constante contato telefônico com eles durante todos demais atos da empreitada criminosa. 

Ao saírem da academia a vítima Myro foi obrigada a ligar do seu telefone para a vítima Pedro Arthur e explicou o que estava ocorrendo, pedindo para que não desligasse o telefone até encontrar com ele. 

A vítima Pedro Arthur trabalhava com Myro e guardava para este certa importância em dinheiro. Na conversa telefônica Myro solicitou que Pedro pegasse a quantia exigida pelos denunciados e levasse até uma rua próxima ao quiosque Ryco Surf, no Recreio dos bandeirantes, o que foi atendido. 

Durante todo o momento em que as vítimas Myro e Pedro Arthur conversavam ao telefone os acusados deixaram claro que este estava sendo seguido e monitorado e que não deveria fazer outra coisa a não ser levar o dinheiro ao local indicado. 

Quando Pedro Arthur chegou ao local com a quantia que foi exigida de Myro para o resgate foi privada de sua liberdade, mediante emprego de arma de fogo, sendo sequestrada e obrigada a também entrar no veículo onde Myro estava. 

Os acusados passaram então a rodar de carro com as duas vítimas e ao chegarem na Estrada do Rio Morto, destravaram as portas do veículo, subtraíram das vítimas os celulares e disseram que contariam até três para que estas se jogassem ainda com o carro em movimento e não olhassem para trás. 

No entanto, ao terminarem a contagem, Fabiano e um comparsa e frearam o carro e passaram a efetuar disparos de arma de fogo contra as vítimas, vindo a atingir mortalmente Myro. 

Não obstante e, em comunhão de ações e desígnios, com vontade de matar, também efetuaram disparos de arma de fogo contra a vítima Pedro Arthur de Oliveira Marques. 

Assim agindo, iniciaram a execução de um crime de homicídio que só não se consumou por circunstâncias alheias a vontade dos agentes, uma vez que Pedro Arthur não foi atingido, conseguiu fugir para o meio do mato e permanecer escondido até que os acusados fossem embora. 

O crime foi cometido de forma a dificultar a defesa da vítima Pedro Arthur, uma vez que, desarmada, foi obrigada a pular do carro sem olhar para trás, enquanto os denunciados Jose Fabiano e Handerlandio efetuavam disparos de arma de fogo. 

O crime foi cometido para garantir a impunidade do crime de extorsão mediante sequestro contra a vítima Myro e do sequestro praticado contra a vítima Pedro Arthur. 

Tal sequestro causou à vítima Pedro Arthur grave sofrimento moral, tendo em vista que mudou toda sua rotina de vida, e mudou-se do país em razão do trauma causado pela conduta dos denunciados. 

Momentos após a prática dos crimes acima narrados os denunciados atearam fogo e destruíram o carro que substituíram de Myro e desapareceram com os telefones celulares das duas vítimas´. 

Pedro Arthur relatou que, no dia dos fatos, recebeu contato de Myro, que estaria com indivíduos que haviam lhe abordado e o mantinham privado de liberdade em seu próprio carro. 

Segundo a narrativa, Myro solicitou que Pedro Arthur arrecadasse determinada quantia em dinheiro, que estava em poder do depoente, e fosse a seu encontro, seguindo as instruções que passava por telefone. 

Ao chegar ao local do encontro, a vítima teria sido obrigada a entrar no carro em que estariam Myro e dois agentes que participavam da empreitada delituosa. 

O ofendido acrescentou que, após certo tempo de deslocamento, os indivíduos pararam o carro e um deles afirmou que iriam libertar as vítimas. 

De acordo com o relato, após o indivíduo contar até três, o depoente saiu do carro, passou por trás do porta-malas, correu em direção ao mato e se jogou. No momento em que corria, a vítima teria ouvido disparos de arma de fogo, que continuaram enquanto se jogava no mato. 

A vítima aduziu que, logo após se jogar no mato, se levantou e tentou sair correndo. Ao olhar para trás a vítima teria visto um dos autores correndo em sua direção no mato. 

O ofendido esclareceu que, após virar novamente de frente para o mato e começar a correr, escutou mais três disparos. O depoente teria corrido até que começou a afundar em um brejo existente no local, onde permaneceu afundado em silêncio por alguns minutos. 

Posteriormente, a vítima chamou por Myro, não obtendo resposta, saiu do mato e retornou para a estrada, constatando que os autores já teriam saído e que o corpo de Myro estava caído. 

Um PM narrou que, juntamente com seu colega, estavam indo atender outra ocorrência quando, no caminho do Rio Morto, perceberam um indivíduo desesperado fazendo sinais no meio da rua. De acordo com o depoente, o referido indivíduo, vítima sobrevivente, falava que o primo dele havia sido baleado e que haviam sofrido um sequestro. 

Outro policial afirmou que estavam em patrulhamento, quando foram acionados por um popular, acenando para viatura parar. A testemunha alegou que o popular dissera que havia acontecido uma tentativa de homicídio. Acrescentou que, ao chegar no local indicado, se deparou com a vítima sobrevivente, que relatou que teriam sofrido um sequestro relâmpago e que os agentes os teriam deixado lá e ordenado que saíssem correndo. A vítima ainda teria lhe dito que somente escutou os disparos e adentrou o mato. 

A vítima Pedro Arthur de Oliveira Marques, em seu depoimento, aponta o acusado José Fabiano como sendo um dos autores de toda a empreitada delituosa, que teria culminado com os disparos efetuados contra ela e contra Miro. 

 A vítima esclarece que, no momento em que tentava fugir no mato, conseguiu visualizar o acusado correndo em sua direção, tendo escutado, em seguida, mais disparos de arma de fogo. 

Ademais, as imagens obtidas pelas gravações de vídeo da câmera de segurança do estacionamento de shopping, armazenadas em mídia , indicam que o acusado teria participado da abordagem da vítima fatal. 

José Fabiano Bruno Santiago, em seu interrogatório, confirma parcialmente seu envolvimento na empreitada delituosa. Entretanto, ressalta que não atirou nas vítimas, que não tinha ciência do pretendido resultado morte e que não atuou com dolo de matar. 

Afirma que um conhecido, apelidado ´Bomba´, teria o contatado para que realizasse delito patrimonial. Alega o acusado que a suposta vítima Pedro seria o mentor de toda a empreitada delituosa que resultou na morte de Myro. 

Disse que Pedro quem efetuou os disparos que atingiram a vítima fatal. 

Sua defesa alega que o acusado agiu em legítima defesa, aduzindo que a vítima teria iniciado a briga que resultou em sua morte. 

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