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‘Tandera certamente presta contas a alguém da segurança pública’, disse delegado

O depoimento de um delegado da Polícia Civil em um processo que julgou membros da milícia controlada por Danilo Dias Lima, o Tandera, em Nova Iguaçu, aponta que tanto ele como o falecido Wellington da Silva Braga, o Ecko, prestam ou prestavam contas a alguém da segurança pública.

‘Há 10 ou 15 anos atrás, era comum policiais militares e bombeiros atuarem na milícia, mas hoje não fazem mais isso, e que Ecko e Tandera, por exemplo, não são agentes de segurança pública, ´certamente prestam contas alguém relacionado à segurança pública mas nós dificilmente conseguiremos qualificar´

A autoridade policial afirmou ainda que se percebe que as atividades da milícia seguem métodos semelhantes aos empregados pelos agentes de segurança pública, como por exemplo o fato de chamar em seus grupos de GATs, o mesmo que Grupo de Ações Táticas, usado pela PMERJ..

Relatou que, nas comunidades controladas pela milícia, os homicídios diminuem, mas aumentam as ocorrências de desaparecimento que não entram nas estatísticas. 

Afirmou que a maior parte dos milicianos presos no decorrer das investigações andava em carros clonados e que a clonagem de veículos realizada pelos milicianos é muito bem feita e só consegue ser descoberta por perícia.

Declarou que a extorsão é um crime que acontece todos os dias, mas não é registrado. 

O delegado afirmou que é comum milicianos se apropriarem de apartamentos que lhes são úteis como pontos estratégicos para posicionamento de olheiros ou atiradores, por exemplo. Nesse tipo de situação, às vezes dão algum dinheiro aos moradores, e às vezes não.

Afirmou que vários traficantes de drogas que eram do Comando Vermelho passaRam a trabalhar para milícia. Disse que, na região do KM-32, marinha e Grão-Pará, os milicianos contam com o auxílio de ex-traficantes que conhecem a região e que passaram para a milícia e os ajudam a tomar o território. Depois os traficantes que não querem passar para a milícia vão embora e fica uma guerra eterna de um querendo tomar o território do outro para praticar seus crimes

Esse processo do qual o delegado prestou o depoimento foi aberto ano passado e  resultou na condenação em agosto de quatro membros da milícia, todos a sete anos de cadeia: Pará, José Magnus, Barba e Madruga.

Pará, por exemplo, chegou a atuar na milícia de Jacutinga e Santo Elias, em Mesquita., ascendendo depois do assassinato de um homem conhecido como Renatinho Satanás,

Ele tinha planos, por exemplo, de montar um moto-táxi para complementar sua renda, em Jacutinga, porém, devido às dificuldades de regulamentação da prefeitura, acabou desistindo e o projeto não saiu do papel. 


Pará afirmara que um rapaz que já rodava lá disse que era preciso ´fazer um pagamento de um café para os policiais´, para que dessem um apoio em caso de eventual ocorrência e, como o movimento era fraco, não seria possível colocar muitas motos e então o acusado desistiu.

Foi flagrado em uma conversa sobre um homem que teria sido assassinado por discutir com Tandera.
Os milicianos atuavam em Conjunto da Marinha, Valverde, Cabuçu, em Nova Iguaçu e também em Jacarepaguá, Praça Seca e Terreirão (Recreio).


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