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Tráfico nos Macacos (TCP) se aproximou da milícia para poder vender drogas na praia do Recreio

Investigação revela que traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, se aproximaram de  milicianos do Recreio dos Bandeirantes. Devido a esse pacto, os bandidos passaram a vender drogas na praia e as escondiam em quiosques.   

A investigação que começou em 2018 resultou na condenação em, abril, do ex-chefe do tráfico na favela, Leandro Nunes Botelho, o Scooby, a 22 anos de prisão em regime fechado. Scooby permanece foragido. 

Como começou?

Tudo começou quando uma senhora compareceu à 20ª DP em Vila Isabel, noticiando que havia sido ameaçada e extorquida por um traficante de vulgo Cinquenta (já morto) que teria invadido o imóvel dela e exigido que ela saísse de lá, situado na Rua Dr. Heleno Beltrão, que fica na subida do Morro dos Macacos, pois queriam usar a residência como esconderijo, guardar armas e produtos roubados. 

A mulher se encorajou foi até a delegacia, onde foi feito o primeiro registro e, aproveitando cerca de três ou quatro dias após, a comunidade dos Macacos estava ocupada pela Polícia Militar em razão do homicídio de um PM.

Agentes foram ao local e, assim que chegaram no imóvel, moradores que não se identificaram falaram, confirmaram que o local tinha sido invadido, mas não havia nenhum traficante no local. Foram encontrados produtos, provavelmente frutos de roubo, como geladeira, ainda na embalagem, televisão na caixa, peças de carro, estepe, chave de rodas, macaco, significando que era um local onde se guardava produtos de roubo. 

O imóvel era uma espécie de fortaleza do tráfico. No prédio, havia uma parede onde há buracos através dos quais os bandidos atiravam de fuzil nas viaturas que ingressavam no local.

Havia também um caderno de anotação e restos coisa de comida, indicando que o imóvel tinha sido utilizado por alguém. 

No caderno, havia a sigla da facção criminosa TCP e uma espécie de controle de contabilidade, provavelmente da droga, Pó de 10, 40 sacos, 30 sacos, havendo, ainda, xingamentos à facção rival, que seria o Comando Vermelho e alguns números de telefones.

Scooby

Antes de perder o comando do tráfico no Morro dos Macacos por decisão da cúpula do TCP, Scooby já não ficava na favela. Ele se escondia ou no Complexo da Maré ou, então, no Morro de São Carlos.

Seu filho, Leandrinho, absolvido neste processo, é quem repassava as informações da traficância de drogas a Scooby, atuando como um verdadeiro longa manus do pai.

Policiais afirmaram que ele foi líder do morro durante mais de 20 anos e que muitos traficantes ouvidos diziam quando eram presos nunca sequer tinham visto Scooby.

A quadrilha

Abaixo de Scooby, ficavam Quatro Molas (preso), Cinquenta (que teria sido morto a mando do próprio Scooby) e Borrofe, sendo este último o responsável pela segurança do morro e do grupo criminoso.

Borrofe realizava rondas por toda a localidade juntamente com os seus subordinados, com o intuito de impedir invasões de outras facções e incursões na comunidade por forças policiais oficiais.

Outro destaque na quadrilha era Mike Americano que apareceu em vídeo ostentando forte poderio bélico. Seu telefone continha diversas mensagens referentes à venda de ouro e televisão. Ele também apareceu em uma foto com um cordão de ouro no pescoço enquanto participa do baile funk no interior da comunidade, tendo a função de realizar diligências externas para o grupo criminoso.

Ele tinha um fuzil com bandeira dos Estados Unidos e foi possível observar que ele se locomovia, comprando whisky e bebidas para os outros traficantes, pois não havia mandado de prisão contra ele.

Encarregado da defesa do grupo, o traficante Necessauro, após tentativa de invasão por facção criminosa rival, apareceu em vídeo vangloriando-se pela vitória, juntamente com os comparsas Tiazinha e Jacó.

Chama a atenção também a atuação do criminoso conhecido como Laquésia, que chegou a perder a mão em uma operação da PMERJ, em decorrência de ter lançado uma granada em direção aos agentes policiais.

O traficante conhecido como Jefinho era o encarregado de vender drogas em uma estica da favela na Praia do Recreio dos Bandeirantes. Ele chegou a ser pego em uma interceptação telefônica falando para o comparsa lhe abastecer com drogas porque a praia estaria repleta de viciados. Chega a dizer que membros de uma facção rival estariam vendendo drogas no mesmo local.

Integrava também o bando o criminoso conhecido com Rau que teria desviado pelo menos cinco pistolas Glock do Morro de São Carlos.

Outros crimes

Depoimentos de policais revelam que os traficantes dos Macacos tinham a característica de descer do morro, roubar alguns caminhões de entrega que passavam pela Avenida 28 de Setembro ou pela Rua Torres Homem, e voltavam pela Senador Nabuco, onde ficava a esquina do apartamento invadido, que deu origem a investigação.

Os agentes disseram que era preciso ter muito dinheiro e fuzis porque o morro era cercado por comunidades dominadas pelo Comando Vermelho, como o Morro do São João, por exemplo.

Os policiais perceberam que na época da investigação houve o aumento de roubo de cargas na região, pois os criminosos perceberam que era uma forma mais simples de complementar a renda da atividade criminosa deles e começaram a aumentar muito o número de roubos,

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