Casos de Políciacorrupção policialDenunciainvestigação

Veja alguns dos acertos que a ‘Banca da Grande Rio’ tinha com policiais militares e civis. Agente feminina foi flagrada dando orientações sobre como quadrilha devia agir durante abordagens

O pagamento de verbas ilícitas à integrantes da Polícia Militar permitia que a organização criminosa conhecida como ‘Banca da Grande Rio’ obtivesse um tratamento ilícito privilegiado quando seus membros sofressem abordagem por tais agentes de segurança pública, sem que fossem realizadas as devidas prisões em flagrante e apreensão de mercadorias .


Essa conclusão ficou evidente quando se analisa conversa entre um integrande do bando e uma PM na qual esta orienta ao primeiro sobre como os ´operadores´ devem proceder ao serem abordados em policiamento ostensivo .


´(…) porque o pessoal do Caxias Presente, a gente trabalha junto com o Segov, que são uns malucos que tem um sistema lá, que joga o nome da pessoa e busca tudo que a pessoa tem, na hora pô, on-line. E depois que jogado filho, a gente não tem o que fazer não. Que vai ficar no sistema lá que a gente consultou. Fala: consultou e aí? Entendeu? Liberou? Perdeu um dinheiro para liberar? A culpa vai cair em cima da gente. Então fala que, quando for assim, nem entregar o documento, desenrolar antes, dar o papo antes´.


Outras situações mostram os acertos da organização com agentes públicos.


Em 21/11/2019, o acusado Turques enviou mensagem para Marcio Roberto Braga falando expressamente sobre pagamento de doze mil reais para membros da polícia militar (mencionada como ´carro azul´, em referência a uma das cores dos veículos padrões da PMERJ) e três mil reais para integrantes da polícia civil (mencionada como ´carro preto´, em referência a uma das cores dos veículos padrões da PCERJ) .


´Cara, eu coloquei doze mil carro azul e três mil carro preto´.

Quando a apreensão de cigarros era realizada por policiais civis da 59ª DP ou da 62ª DP, um integrante do bando era acionado para que possa fazer contato com agentes públicos e, assim, obter a ilegal liberação da mercadoria.


Em uma situação o acusado Turques acionou José Moacyr em razão de uma apreensão de cigarros e da necessidade de liberação das respectivas caixas.


Na troca de mensagens, José Moacyr chegou a falar que deveriam procurar a pessoa conhecida como ´Ludovício´. Cumpre destacar que, à época da troca de mensagens em questão, havia um policial civil com esse sobrenome lotado na 59ª DP .


Em outra situação para a recuperação de cigarros apreendidos, José Moacyr orientouo colaborador premiado a procurar pelo policial civil Perrota, então lotado na 62ª DP.


O colaborador premiado teve contato pessoal com o policial civil e, nas duas oportunidades, obteve a devolução dos bens apreendidos, mas sem qualquer formalização da restituição .


Em uma das situações o colaborador chegou a pagar uma ´cerveja´ (pagamento de dinheiro) para o agente.


Ainda sobre relações ilícitas estabelecidas entre a ORCRIM e integrantes da polícia civil, deve ser citado episódio já abordado nesta inicial acusatória, na qual os denunciados Francis e Ronile Santos sofreram abordagem policial quando estavam descarregando cigarros com milicianos.


Segundo os áudios trocados entre os acusados João Ribeiro e Diego Candido e ´Serginho´), Francis e Ronile, além de estarem na companhia de milicianos, também estavam armados e com expressiva quantidade de dinheiro.


Apesar disso, não há qualquer, em suas respectivas folhas de antecedentes criminais, anotação criminal referente a eles, o que indicou a realização de ´acerto´ entre os policiais e tais increpados.
Um policial militar vulgo Cabeça auxiliava os chefões do bando na gestão do esquema criminoso e exercem o controle relativo aos fatos cotidianos da quadrilha . Incumbe a ele o controle dos estoques de cigarro, determinar/regular a quantidade de cigarros destinadas aos ´operadores´ , a contabilidade dos negócios do bando , o contato com os ´patrões´ e com a fábrica dos cigarros . São o que pode ser chamado de ´gerentes´ da engrenagem delituosa

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