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Vigilante foi condenado pela Justiça após ser flagrado em imagens circulando de fuzil em comunidade do CV e cumprimentando traficantes em boca de fumo. Disse que foi tudo armação de primo bandido

Um vigilante que trabalhava como segurança de uma agência bancária foi condenado em agosto a três anos e seis meses de prisão em regime aberto após a polícia obter imagens em que ele aparece circulando armado com fuzil e cumprimentando traficantes em uma comunidade da Tijuca, na Zona Norte do Rio.


Colaboradores da polícia forneceram imagens com informações sobre um elemento que transitava pela comunidade.
 
A polícia identificou o indivíduo que aparecia como sendo um segurança de uma agência bancária. Salientou que tal elemento já havia sido mencionado em outro procedimento policial, do ano de 2008. 

Constaram que o suspeito transitava na comunidade com muita tranquilidade, sendo certo que a facção criminosa Comando Vermelho, que domina a área, não permite que agentes de segurança transitem daquela forma sem haver conflagração. 

O acusado transitava com armamento pertencente ao tráfico local. No final do vídeo, em posse de um fuzil, o réu chega até a boca de fumo e não causa estranhamento em nenhum dos integrantes do tráfico, demonstrando que o mesmo era conhecido na localidade. Ele chegou a cumprimentar os bandidos.

Na busca e apreensão realizada, foi encontrado na residência do acusado uma arma de fogo pequena, duas munições calibre 38, cartuchos deflagrados de fuzil, coldre e capa de colete. 

Há informações, em outros inquéritos policiais, que o réu tinha livre trânsito pelos membros da facção criminosa, sendo evidente a existência de relação íntima e estável. 

Segundo os autos, tudo levava a crer que o réu é um elemento de contenção ou passa ensinamento sobre manejo de arma de fogo.  

Pelo nível de periculosidade da facção Comando Vermelho, verifica que aquela situação não foi algo esporádico, pois caso o fosse, o réu já estaria morto. 

Quando um elemento desconhecido entra na comunidade armado e não pertence à facção, há troca de tiros. 

As circunstâncias das imagens são extremamente graves e incomuns. Os traficantes do Comando Vermelho têm, por hábito, filmarem a si próprios como demonstração gratuita de poder, mas não é comum que a polícia tenha acesso à essas imagens. 

Não se verificou qualquer expressão de medo ou nervosismo do acusado, não sendo crível que o mesmo foi coagido a aparecer na filmagem. 

Acredita-se que a arma estava municiada, pois nunca apreendeu uma arma desmuniciada empunhada por traficante, apenas em depósito. 

A versão do acusado

O acusado declarou que raramente freqüentava a comunidade onde foram feitas as imagens, apesar de ter parentes no local, posto que trabalha com vigilantes. Nas horas vagas, disse costumar trabalhar como barbeiro. 


Afirmou que não esteve na localidade em janeiro de 2021 quando foram feitas as imagens. Nasceu e foi criado no local, conhecendo alguns traficantes, mas não conversa com os mesmos. 


Disse ter um amigo/primo de infância que mora na comunidade e teve desavença com ele por ser vigilante. 


Contou que o primo o obrigou a carregar uma arma desmuniciada pela comunidade e gravou um vídeo com a intenção de prejudicá-lo no trabalho. A imagem foi feita no Natal de 2020. 


Ninguém testemunhou a filmagem. Houve uma pressão para que ninguém lhe ajudasse, com medo de represália. 


A diligência policial realizada foi acompanhada por sua esposa. 


Segundo ele, a arma encontrada em sua casa era esportiva, e não de fogo. 


Ele declarou que quem está no plantão sofre punições por danificação do armamento ou projétil, razão pela qual guardou as duas munições para caso de punição. 


O estojo de munição estava em seu poder a muito tempo e pretendia fazer um chaveiro com ele. Ia começar a trabalhar em uma empresa nova antes da prisão. 



No dia da filmagem estava na comunidade para uma festa em família, mas não sabia que seu primo estaria no local. 


Seu primo disse que não era bonito trabalhar fardado e o obrigou a fazer o vídeo. Sentiu-se acuado. 


No local de endolação os traficantes o interrogaram sobre sua esposa e local de trabalho. 


Só foi liberado com vida por ser primo de um  gerente do tráfico. Conseguiu uma touca ninja por trabalhar em plantões noturnos. Usava a touca quando estava que fizesse frio. 


Durante a gravação foi acompanhado o tempo todo pelo primo, que ficava rindo. 


Como o parente era conhecido na área, o vídeo não causou estranhamento. Nunca foi preso ou processado.”

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