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Garçom já sobreviveu a queda do vão central da Ponte, tiro de fuzil e câncer

Afinal, o cearense que passou fome na infância teve cara a cara com a morte pelo menos duas vezes e escapou milagrosamente em ambas ocasiões.

Ximenes foi arremessado do vão central da ponte, numa altura de 40 metros, e resgatado com vida na Ilha do Mocanguê.

Em junho desse ano, ele se viu no meio de um fogo cruzado, no Complexo da Maré, onde mora, foi atingido por um tiro de fuzil e escapou de novo.

Deus deve gostar de mim — acredita o homem que cresceu na fé católica — seu nome é uma homenagem a São Francisco das Chagas —, mas que em 1992, depois da primeira separação, se converteu à igreja evangélica.

Apesar de ser fruto de uma promessa, para ter um filho homem, feita por sua mãe a um santo considerado milagreiro no Ceará, Ximenes não tem apego por imagens sagradas e muito menos a amuletos ou patuás.

Também não se acha sortudo, apesar de já ter ganhado numa loteria do estado os R$ 50 mil com os quais comprou em 2010 a casa em que vive na Baixa do Sapateiro, no Complexo da Maré.

As duas anteriores lhe deram quatro filhos — um casal, cada— dos quais rendeu os quatro netos.

Era por volta das 3 da madrugada do dia 30 de julho de 1998, quando ele coltava do trabalho no restaurante Taberna Atlântica, no Leme, na Zona Sul do Rio, onde está há 27 anos, para sua casa em Itaboraí, onde morava na ocasião.

Como estava muito cansado e cochilava mal sentiu o baque, quando a Topic, que estava em alta velocidade se chocou contra a traseira de um caminhão que fazia manutenção na ponte.

Dos três passageiros arremessados na Baía de Guanabara de uma altura de cerca de 40 metros, correspondente a de um prédio de 11 andares, dois sobreviveram e um deles era o garçom.

Ele contou que como estava acostumado a dar umas braçadas no mar de Copacabana, onde sempre trabalhou, escapou da morte nadando e boiando algumas vezes, mesmo vestido de calça jeans, camisa e sapato.

O garçom sofreu uma fratura no braço esquerdo e estourou o baço, ficou internado 18 dias no Hospital Antônio Pedro, em Niterói, mas se recuperou.

Estava tendo uma operação policial na comunidade, mas ele aproveitara um momento de calmaria para ir a um mercadinho próximo comprar ingredientes para preparar um almoço especial do Dia dos Namorados para a companheira, da qual está se separando.

Porém, comprometeu os nervos e parte do movimento das mãos que ele busca recuperar com ajuda de duas sessões de fisioterapia por semana.

garçom, que se fosse um gato já teria desperdiçado pelo menos três vidas — há um dito popular que esses felinos têm sete vidas — guarda por todo o corpo as marcas de cada um desses dramas que enfrentou e os quais milagrosamente driblou, em forma de de cicatrizes.

Cearense de Groaíras, Francisco Ximenes, veio para o Rio aos 14 anos, depois da morte do pai, obrigando a família a vender o pedaço de terra onde cultivava, apesar da dureza da seca.

Antes da Taberna Atlântica, trabalhou no Restaurante La Fiorentina, também no Leme, onde serviu astros da música, da TV e do Cinema, como John Travolta, na década de 1970, quando o artista americano vivia seu auge após estrelar o filme “Os embalos de sábado à noite”.

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