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A importância da mulher na arquibancada e a retomada de sua força

Atualmente no Rio de Janeiro, é mais do que comum presenciarmos mulheres em estádios em dias de jogos de futebol, seja dos 4 grandes, como até dos clubes de menor expressão. Por mais que seja comum, segundo uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas no ano de 2015, de um total de 1038 torcedores entrevistados, 91% eram homens, ou seja, de 2015 para cá, podemos notar uma presença muito maior de mulheres nos estádios. O que a maioria das pessoas desconhece é o fato de que a primeira torcida organizada no Brasil foi feminina. Exatamente: No início das atuações do Atlético Mineiro, as mulheres iam aos estádios com bandeirinhas uniformizadas para acompanhar seus maridos.

Conseguimos entrevistar 4 meninas integrantes de 4 torcidas dos clubes grandes do RJ. Confira abaixo:

Kelly Fernanda de 22 anos, integrante da Loucos Pelo Botafogo afirma que por mais que seja normal as mulheres frequentarem os jogos, sempre rolam discriminações por parte dos homens, mas que eles são cobrados pela própria torcida

“Sempre rola infelizmente mas a maioria que está ali na torcida está entendendo que estamos buscando nosso lugar e por incrível que pareça as mulheres participam bem mais que os homens na parte de material, organização das coisas da torcida como eventos etc. Infelizmente tem uns engraçadinhos mas como a torcida não tolera nenhum tipo de preconceito quem pratica sempre é afastado por um tempo em forma de punição”

Mas que ainda sim, se sente feliz por ajudar o clube que ama na arquibancada

“Me sinto feliz porque tudo o que faço é por ele embora esteja em uma torcida o que é feito é pelo Botafogo e não pela torcida em si.” 

Gabrielle Moreira de 20 anos, é integrante da Torcida Força Flu, afirma que sente privilegiada por ajudar o time

“Me sinto privilegiada, ainda mais por ser em prol ao meu time”

E ainda afirma, que dentro de casa não é vista com bons olhos pela família por estar presente nos estádios apoiando seu time do coração:

“Respondo pelo meu pai como ele vê, sou vista como errada por estar em um lugar q na mente dele é lugar de homem”

Já Eduarda Cristina de 20 anos, integrante da Raça Rubro Negra, conta que fazer parte da torcida, a fez se sentir mais viva e mais feliz consigo mesma:

“Assim que entrei para Raça me sentir mais útil do que nunca para o Flamengo, a sensação de ajudar a promover a grande festa na arquibancada e apoiar o time em qualquer circunstância é gratificante, então me sinto fazendo o dever de casa, fazer parte dessa torcida é saber que não devemos desistir nunca mesmo que já não haja esperanças, movidos pelo amor e loucura somos o canto que muda o jogo”

Eduarda ainda firma, que ainda rola discriminação por parte dos homens, mas que isso nunca a abalou, e que principalmente, ela e as mulheres do comando feminino da Raça Rubro Negra continuam lutando para haver dias melhores na arquibancada para as mulheres rubro-negras:

“Sempre têm esses tipos de olhares e as piadinhas machistas, mas da parte dos integrantes da Raça não é comum, o feminino é muito respeito por eles e a cada dia lutamos por isso, a meninas que tocam na bateria, somos ouvidas nas reuniões e agora temos uma bateria do feminino que nos dá a liberdade de ir a jogos do futebol feminino do Flamengo e torcer assim como no futebol masculino sem depender dos outros integrantes, mesmo que sempre estão dispostos a ajudar.”

Danielle Gonçalves tem 20 anos é integrante da Guerreiros do Almirante do Vasco da Gama e faz parte de um movimento muito importante de torcedoras do Vasco que serve como exemplo para todas as torcedoras do Brasil, que é o movimento chamado de “Vascaínas contra o assédio” que luta por dias melhores das mulheres nos estádios, ela diz que o que faz na arquibancada é pra retribuir o clube pelo que ela já passou

“Então, é um sentimento de retribuição ao Vasco por tudo que eu já passei e ganhei, dentro e fora dos estádios, e ainda assim é muito pouco.”

Afirma ainda que rola discriminação dentro e fora da torcida

“Sempre rola (olhares com discriminação), não só olhares. Mas isso é em geral, não só dentro da torcida.”

Danielle conta ainda, que já se sentiu ofendida, mas que hoje, ela se impõe dentro do estádio para apoiar seu clube

“Ultimamente não, mas já me senti sim. Principalmente em relação àqueles olhares lançados de forma pejorativa. Então, dentro da sociedade em geral ou você se impõe e mostra serviço, ou vão continuar fazendo as mesmas coisas sempre e em torcida não é diferente”

Como podemos ver com as declarações das torcedoras, o fato de uma mulher poder frequentar os estádios e ter o mesmo amor pelo time como um homem tem, é absolutamente normal e aceitável, que elas fazem muitas vezes um trabalho melhor do que dos homens, o que cabe a sociedade a aceitar que uma mulher não precisa saber a escalação do time ou muito menos o que é um impedimento pra ser apaixonada pelo seu time. Como torcedor e jornalista, faço um apelo: respeite as mulheres, porque o lugar delas é onde ela quiser, e principalmente dentro do estádio apoiando seu time. Até breve!

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