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Milícias rachadas promovem banho de sangue em Nova Iguaçu. Veja detalhes

Uma investigação feita pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense revela a disputa entre duas quadrilhas de milicianos pelo controle do bairro da Cerâmica, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Um dos grupos é dominado por Igor Russo, já preso e o outro por Fernando Quebra. Os dois eram unidos mas racharam.

Os autos revelam uma série de homicídios cometidos pelas duas organizações.

Racha


O racha no grupo ocorreu em razão da morte de um miliciano, Alexandre Brito de Araújo, que teria sido praticado por Quebra e seu grupo pretendia executar Grande e  os demais, a fim de poder dominar todo o território de influência da organização. Foi colocada uma nota de R$ 2 no rosto de Alexandre na tentativa de incriminar integrantes do jogo do bicho que atuam na região.

A investigação começou depois de um homicídio contra Douglas Vinicius Souza dos Santos, ocorrido em 29 de junho de 2019, no bairro da Grama, em Nova Iguaçu.

‘É hora de matar Fernando’

O bando de Quebra, por exemplo, teria sido responsável pela execução de dois homens de vulgos Gato Net e Zé Paraíba. Com a morte dos dois, o bando de Igor Russo teria dito que era hora de ‘matar Fernando’.

Integrantes do grupo de Igor teriam sido responsáveis pelo assassinato de Hércules Rodrigues da Silva, o Nem. Ele furtava veículos com Fernando para depois revender peças.

Execução de motoristas de aplicativos

Segundo depoimentos, a quadrilha de Igor, do qual fazia parte o policial militar Carlos Eduardo de Moraes Côrrea, o Grande, também preso, era um grupo de ´roubadores´, diz que tinham o hábito de executar os motoristas dos carros roubados quando descobriam que trabalhavam com aplicativos de transporte. 

Vou beber o sangue’

Na investigação consta uma conversa entre Fernando e um miliciano de vulgo PUF, da quadrilha de Igor, em que Quebra diz ´beberia´ o sangue de todos eles, e que não teria matado dois desafetos de vulgos Binho e Marimbondo porque não quis.

Vítimas atacadas sobrevivem

Há também citação a um caso em que um integrante do bando de Igor tentou matar duas pessoas: Rodrigo Dias de Oliveira e Hudson de Lima Teixeira, que foram atacados a tiros mas sobreviveram.

Vou explodí-los’

Igor Russo também estaria tramando a morte de dois integrantes do grupo de Quebra, identificados pelos vulgos de Dudu (Eduardo Ramos de Souza) e Gerson. Dudu foi morto. Igor chegou a dizer que ‘explodiria’ os dois.

Agiota mandou matar

Os milicianos, quando eram unidos, mataram um homem e o enterraram em um sítio ao lado da casa da mãe de Fernando Quebra. A morte se deu por ordem de um agiota, a fim de sanar dívida.

Trama para executar testemunha


Uma conversa interceptada mostrou milicianos falando sobre a provável  execução de uma testemunha que, após fazer denúncias contra criminosos, estaria sendo ouvida no Fórum da Capital do Rio de Janeiro, onde supostos criminosos estariam aguardando para a empreitada, o que não ocorreu em função de não terem localizado a testemunha após a mesma deixar o Fórum.

Ajuda de policiais corruptos

Em 16/12/2019, foi captada uma conversa entre milicianos ligados a Igor Russo  sobre uma suposta invasão de rivais a localidade onde a organização criminosa em testilha exerce seu domínio. Por igual, eles falam sobre detalhes da suposta invasão, ficando evidenciada, segundo o relatório do inquérito policial, a relação entre os paramilitares e policiais corruptos que estariam dando apoio ao domínio do grupo com atuação na região.

Bombeiro fornecia armas


Um subtenente do Corpo de Bombeiros , atua na venda de armas e munições para os milicianos da região da cerâmica, Nova Iguaçu e Campo Grande. Ele guardava as armas e munições em sua residência.


As quadrilhas agiam mediante a prática de infrações penais graves, como extorsões, roubos de veículos, exploração monopolizada de serviços como venda de água, internet e TV a cabo, mas principalmente homicídios e ocultação de cadáver.

Expansão para Vassouras

As investigações demonstram que os milicianos tiveram origem Cerâmica e bairros vizinhos, mas com atuação também em Miguel Couto e no Município de Vassouras, por onde deixaram durante anos um rastro de violência e mortes, submetendo a população destas regiões a todo tipo de constrangimento, coação e exploração.

Perseguição a ex-detentos e usuários de drogas

Os criminosos intimidavam os moradores, passando a falsa sensação de segurança na região, cujas vítimas são ex-detentos, usuários de drogas, pessoas que cometem delitos pelo bairro e adjacências ou pessoas que são amigos destes.

Homicídio para tomar a segurança de condomínio

O grupo de Fernando Quebra começou agindo na segurança do condomínio chamado de Predinhos da Caixa. Os milicianos mataram os responsáveis pelo local Flávio e Luciano Consentino, o Velho.


O pivô da guerra entre Quebra e Igor, Alexandre Brito, ao saber da morte de Velho resolveu sair do grupo e espalhou na região que iria matar quem havia executado o comparsa. Acabou morto também.

Sítio usado para desmontar carros furtados


A quadrilha de Quebra, segundo relatos, estacionava cerca de 100 carros furtados em frente ao seu sítio. Os milicianos desmontavam e ´cortavam´, veículos dentro do mato dentro da propriedade.

Ameaças a testemunha; ‘Vou abrir um buraco para te enterrar’

Uma testemunha foi ameaçada de morte por Fernando que disse que o próximo buraco que abriria em seu sítio seria para enterrá-lo.

” Não adianta se calçar, se tivesse que matá-lo, mataria em qualquer lugar, estando na praia, shopping ou parque”.

Ao todo, 20 integrantes dos dois grupos tiveram a prisão preventiva decretada pelo Juízo da 1ª Vara Criminal Especializada.

Processo No 0020744-96.2020.8.19.0038

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