Quatro traficantes do Chapadão (CV) vão a júri popular por assassinato de PM em 2015

Quatro traficantes do Complexo do Chapadão irão a Júri Popular suspeitos de participação no assassinato do PM  Neandro dos Santos de Oliveira, ocorrido em 2015.  O agente teve o corpo carbonizado.

Vão a júri popular Carlos Alberto Souza da Silva, Adílio Alvres da Trindade, Alessandro Abreu Alvarenga, o Jay e Paulo Henrique Luiz Santos.

 Chefe do tráfico na favela na época, Davi da Conceição Carvalho se livrou da acusação. A Justiça argumentou que não havia provas para incriminá-lo apesar dos autos indicarem que nada acontecia no local sem a sua autorização.

Dois acusados do crime já estão mortos, um outro foi absolvido e mais dois ainda não tiveram definição da Justiça.

O crime foi cometido em razão da vítima ser PM. Foi executado de forma dificultar a defesa da vítima, eis que apesar de tentar reagir, restou dominada, recebeu diversos disparos efetuados a pouca distância, com armas de grosso calibre e pelos onze denunciados. 

No dia dos fatos, conforme apurado, a vítima conduzia seu veículo próximo a comunidade  quando foi abordada pelos suspeitos, iniciando-se intensa troca de tiros. 

O policial então, já atingido e dominado, foi levado ao interior da comunidade, onde foi executado, sob o pleno conhecimento e ordem do acusado Davi, então chefe do tráfico ilícito de entorpecentes daquela comunidade. 

Consta ainda que os bandidos destruíram, ainda que parcialmente, o cadáver da vítima, mediante ação térmica e o ocultaram no interior do porta malas do veículo GM/Prisma, placa KPL6282. 

Além disso,  um dos traficantes, incidindo em erro de execução, efetuou disparos de arma de fogo, vindo a atingir também o seu comparsa Patrick Rodrigues Carvalho, os quais por sua natureza e sede deram causa a sua morte.

A identidade do PM só restou apurada após a realização do exame certificado no Laudo de Exame de Corpo Delito de Odontológico Cadavérico Identificação Odonto-Legal.

 A investigação teve início a partir da interceptação telefônica do celular do policial vítima, que foi furtado no local. Durante a interceptação telefônica, foi possível identificar que quem utilizava o aparelho celular do policial vítima era uma mulher e que foram identificadas conversas dela com outras pessoas ligadas ao tráfico de drogas da região. 

A mulher residia e trabalhava no Complexo do Chapadão e que ela relatou tudo que tinha acontecido no dia dos fatos: falou que os executores dos delitos em apuração estavam fazendo churrasco no bar em que ela trabalhava e que saíram para fazer uma abordagem de um carro policial, um Volkswagen UP. Informou, ainda, que, quando se iniciou a troca de tiros, os outros indivíduos que estavam no churrasco desceram para auxiliar os demais. 

Essa mulher informou que um sujeito de vulgo ´Bahiano´ falou que viu ´Jay´ se aproximar do carro do policial Neandro; que os traficantes souberam que o ´Caveirão´ subiria a favela e deixaram o carro; 

Um policial ao prestar declarações em juízo, relatou que, no dia dos fatos, estava em serviço e que, quando aconteceram os fatos narrados na denúncia, a primeira viatura policial teve dificuldades para entrar no local. Disse que só foi possível identificar o policial vítima por meio de seus documentos e que viram sangue no carro. 

As pessoas que estavam no local teriam dito que tinham abordado um cidadão que achavam que era o policial e que os traficantes fizeram arrastão. Por fim, informou que havia muitas avarias no veículo da vítima e que acredita que o policial vítima bateu com o carro. 

O delegado Daniel Freitas da Rosa, ao prestar declarações em juízo, relatou que lembra de ter atuado neste caso; que o policial militar vítima estava se dirigindo ao local de trabalho quando foi interceptado; que os denunciados estavam fazendo churrasco em uma determinada boca de fumo e que houve troca de tiros e que um policial foi atingido; que os demais policiais deslocaram-se para dar apoio; que o cadáver da vítima foi encontrado dois dias depois, carbonizado, na Via Light. 

Disse, ainda, o Delegado que, quando feito o exame da arcada dentária da vítima, foi constatado que era o policial militar Neandro. Disse, também, que a investigação começou porque o celular do policial vítima Neandro tinha sido subtraído.