BolsonaroPolítica

Declaração de Bolsonaro gera repercussão negativa na internet

Presidente afirmou que pessoa com HIV é ‘uma despesa para todos no Brasil’

Pessoas que vivem com HIV utilizaram a hashtag #EuNãoSouDespesa para criticar declaração do presidente Jair Bolsonaro sobre o tema.

Durante conversa com a imprensa, na quarta-feira (05/02), enquanto defendia a abstinência sexual proposta pela ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), Bolsonaro citou um relato do jornalista Alexandre Garcia, apoiador declarado do presidente.

A campanha foi promovida pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), que afirma que a iniciativa teve o apoio de ativistas, estudantes, aposentados, jornalistas, assistentes sociais, advogados, médicos, atores e “diversos outros cidadãos e cidadãs que defendem o Sistema Único de Saúde (SUS), contra o estigma, o preconceito e a discriminação”.

Não bastasse ele ter dito anteriormente que o Estado não deveria arcar com o tratamento de quem contrai o vírus ‘na bandalheira’, agora ele nos taxa como meras despesas de governo”, afirma Beto Volpe, de 58 anos, ativista e escritor.

afirmação dele sobre uma declaração anterior do presidente é em referência a uma entrevista que Bolsonaro deu em 2010 ao programa CQC, na qual o então deputado federal disse que “uma pessoa que vive na vida mundana depois vai querer cobrar do poder público um tratamento que é caro”.

Segundo o boletim epidemiológico HIV/Aids 2019, de 2007 a junho do ano passado foram notificados 300.496 novos casos de infecção pelo HIV no país.

O Ministério da Saúde informa que o número de mortes por aids, doença que o paciente com HIV pode desenvolver, caiu em 22,8% nos últimos cinco anos — de 12,5 mil em 2014 para 10,9 mil em 2018.

Um estudo do Ministério da Saúde, divulgado em 2019, apontou que o país mais que dobrou o tempo de sobrevida das pessoas com o vírus, em razão do tratamento adequado.

levantamento, intitulado Estudo de Abrangência Nacional de Sobrevida e Mortalidade de Pacientes com Aids no Brasil, apontou que 70% dos adultos e 87% das crianças diagnosticadas entre 2003 e 2007 tiveram sobrevida superior a 12 anos — um estudo feito em 1996 apontou que a sobrevida era de, em média, cinco anos.

No ano passado, segundo o portal da Transparência, o governo utilizou R$ 1,8 bilhão na compra de remédios para pacientes com HIV — segundo o portal, o valor representa 0,06% dos gastos públicos do ano.

Os coletivos ligados a pessoas que vivem com HIV frisam que o direito à saúde é universal e é dever do Estado auxiliar as pessoas que precisam de medicamentos, incluindo aquelas que vivem com o HIV.

“Não podemos tolerar que depois de décadas de conquistas e de luta contra a discriminação, discursos ancorados em preceitos equivocados e preconceituosos, potencializem estigmas e processos de exclusão sociais ainda presentes no cotidiano das pessoas que vivem com HIV/Aids no Brasil”, diz trecho de nota divulgada pelos movimentos nacionais Articulação de Luta Contra a Aids, Rede de Pessoas Vivendo com HIV e Aids, Movimento das Cidadãs Posithivas e Rede de Mulheres Travestis e Transexuais e Homens Trans vivendo e convivendo com HIV/Aids.

“Os direitos sociais são cláusulas pétreas e, portanto, não se pode retirar ou retroceder por interesses pessoais ou do governo, pois são políticas sociais, cujo financiamento provém dos impostos pagos por todos os cidadão brasileiros”, declara Moyses à BBC News Brasil.

Os coletivos que defendem pessoas que vivem com HIV afirmam que, após as falas de Bolsonaro, ampliarão a “mobilização pela garantia de direitos e de políticas públicas inclusivas, plurais, fundamentadas em evidências científicas e construídas com participação social”.

Mostrar mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo